sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Antes de ontem acabar


Eu ainda não tenho nome, mas com certeza, a qualquer momento, vou ganhar um. Penso assim porque hoje de manhã, a minha dona e o meu dono discutiam sobre como eu iria chamar. Ela queria que eu me chamasse Milady. Ele não gostou da idéia e, talvez para tirar sarro da cara da irmã, disse que uma boa idéia seria que eu me chamasse Melambe.

Para que fique melhor explicado: eu sou uma gatinha. Uma gatinha de verdade que dorme gostoso em cima das camas e das pessoas macias e que sempre exclama um Miauuu bem sofrido quando está com fome. Mas a verdade é que a minha primeira vidinha, das sete que tenho, nem sempre foi assim, boa desse jeito!

Infelizmente ou graças à deusa Bastet, não me lembro de quase nada da minha vida anterior, o que eu sei é que era uma vida sofrida. Porém, de ontem eu me lembro muitíssimo bem.

Ontem, eu já tinha sido abandonada. Ontem, eu fiquei o dia inteirinho procurando alguém para me levar para casa e cuidar bem de mim, mas ninguém nem parou para me fazer carinho e falar o quanto eu era bonitinha. E, modéstia à parte, eu tenho olhos azuis maravilhosos.

Quando dei por mim já estava escuro. Se enquanto era dia os que me viram não me levaram para casa, por que pensaria eu que de noite os que não me veriam me levariam embora? Simplesmente, porque eu ia miar. Miar muito para que as pessoas que não me vissem, me escutassem e me procurassem.

Já era quase meia-noite. Eu tinha ficado ali muitas horas, mas ainda não tinha uma casa para morar. Era quase certo que ontem nem ia ter. Então, eu resolvi:

– Vou dar os meus últimos miados do dia. Depois, vou arrumar um lugar aqui nesse terreno para tirar uma soneca, afinal de contas, não dormi nada!
E foi o que eu fiz. Vi gente passando na rua e corri atrás miando bem alto para ser vista e adotada. Porém, como todos os outros, eles nem me olharam. Deitei-me no primeiro terreno vazio que tinha encontrado. Meus olhos já estavam quase fechando no momento em que viram uma luz. Era a luz de um carro. Pensei em dar mais alguns miados, mas logo despensei.

Levantei sem saber o que estava fazendo e miava sem saber o que estava dizendo. Cheguei a correr atrás do carro querendo uma casa para dormir quentinha. Mas o carro passou reto.

– Eles também não me escutaram. Muito menos me viram.

Eu estava errada! O carro andou meio quarteirão e depois brecou. Dele desceu um cara esquisito que começou a correr na minha direção. Eu não sabia se o negócio era comigo ou não, mas como não tinha nada a perder, também corri em direção dele. Eu só queria que ele não passasse por mim como se nem tivesse me visto. Para minha felicidade, ao nos encontrarmos, ele se abaixou e me pegou. Comigo no colo, ele deu meia volta e começou a correr em direção do carro.

E foi ontem quando era quase hoje, às 11:30 da noite, que eu insistindo para todo mundo, ganhei uma casa!

Já imaginou se eu tivesse ficado quieta? Eu não teria leitinho no prato, lasanha na boquinha, umas quatro caminhas quentinhas para dormir e muita, muita gente e animais que eu acho que se importam comigo.

Eu não sabia disso, agora eu sei. Eu só tenho tudo isso hoje porque eu lutei, pedi, miei para muita gente e, sobretudo, porque eu queria. Queria muito mesmo!

O meu nome eu ainda não sei qual vai ser. Mas, com certeza, depois de ter ganhado tanta coisa boa, vão me dar um nome, no mínimo, lindo! Modéstia à parte, igual aos meus olhos azuis.


Eduardo Franciskolwisk

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Censura: Fuy Sençurado!

A censura chegou a mim ontem. Provei e não gostei. Censura é quando você quer gritar alguma coisa para todo mundo, mas não pode porque alguém vem para tirar a sua voz. Censura é quando você mostra o dedo do meio para alguém e esse alguém, por ser superior a você, arranca seu dedo com uma tesoura de jardineiro.

Fui censurado pela comunidade “Blogger Brasil ® - Blog”, que tem mais de 6 mil membros.

No final de 2007, um membro da comunidade resolveu fazer um concurso de blogs e fez um tópico onde os interessados poderiam fazer sua inscrição. Na minha opinião, um concurso legítimo onde o organizador selecionou os melhores e colocou 3 finalistas de cada categoria para votação popular. O povo escolheria o melhor, não ele.

Mas algumas pessoas, lógico, não foram selecionadas (Eu fui!) e começou o quebra-pau. Um fala daqui, o outro argumenta de lá e o mais forte sempre ganha. Os responsáveis pelo “Blogger Brasil ® - Blog” cancelaram / apagaram / aniquilaram sem deixar rastros do primeiro concurso.

E fizeram um outro. Mais justo, segundo eles.

Não concordei e escrevi um comentário:

http://franciskolwisk.blogspot.com/
Censura.... das bravas....
Meu blog tava entre os indicados.... Fiquei bem feliz.
Mas eu sou pobre... a felicidade durou pouco.
Censura sim, donos de comunidades se não tomarem cuidado viram ditadores!
Não seria censura se vcs fizessem um outro prêmio paralelo e o melhor e mais justo, venceria por força própria.
Como houve censura, não vou nem perder tempo de me candidatar no outro prêmio.
Afinal de contas, se não estiver do jeito que vcs querem, vai ser apagado mesmo.
Vou ficar no meu blog mesmo. Onde lá eu sou o Rei, sou o cara, eu mando!
Boa sorte (bem mais do que eu tive) pros que vão participar ai do concurso...
http://franciskolwisk.blogspot.com/

Não gostaram e apagaram meu comentário com a desculpa de que eu tava fazendo propaganda. Tirei a propaganda e apagaram novamente.

Aí, eu resolvi criar um tópico com essa mesma mensagem. Apagaram. Fiz de novo. Apagaram. Uma, duas, três, quarto vezes... Todas foram apagadas sem nenhuma explicação. Sim, fui censurado!

E você pode ser o próximo!

A censura não está no novo concurso que eles fizeram, mas sim na maneira como eles apagaram o tópico do primeiro concurso e também todos os vestígios dele no fórum.

Como já disse acima, no texto acima entre aspas, eles poderiam ter organizado um outro concurso bem melhor que o primeiro: mais legal, mais bonito, mais concorrido, etc. E por ser melhor, o outro ficaria de lado pela opção dos próprios membros da comunidade. Apagar, nunca! Fui censurado, porra!

E você pode ser o próximo! Feche os olhos e imagine alguém deletando você de um sistema só por você ter expressado sua opinião. Agora, abras os olhos e diga comigo, pense comigo, lute comigo:

“NÃO À CENSURA”.

Eduardo Franciskolwisk
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