terça-feira, 27 de abril de 2010

Kiko, Kiko, rá, rá, rá!

carlos villagran kiko

A semana passada foi muito emocionante para os fãs do seriado “Chaves”. Vieram para o Brasil o Kiko e o Sr. Barriga. Os dois já estão velhos na idade, mas no coração ainda são jovens. Exatamente como diz a música: “Se você é jovem ainda, amanhã velho será. Ao menos que o coração sustente a juventude que nunca morrerá.”.

Carlos Villagrán (Kiko) e Edgar Vivar (Sr. Barriga e Nhonho) são admirados por muitos brasileiros, assim como todos os outros atores que fizeram parte da Turma do Chaves e do Chapolin Colorado. Eles fizeram parte da infância de muitas pessoas e continuaram fazendo parte na vida adulta através de boas lembranças e risadas. Conquistaram não só uma geração, mas sim, várias gerações. Ficaram conhecidos em todo o mundo e não perderam a humildade. É possível sentir que eles não têm estrelismos. Talvez seja este o motivo para que as pessoas gostem tanto deles.

O Kiko me chama mais a atenção porque é mais carismático. Ele se esforça para falar português e consegue nos emocionar (fazer chorar) logo após de ter nos feito rir. Meus olhos ficaram marejados enquanto assistia a entrevista dele no Ratinho. Fica muito evidente o quanto Kiko é agradecido pelo carinho que recebe aqui no Brasil. Ele nos agradece e nós agradecemos a ele. Obrigado, Carlos Villagrán!

Kiko, Kiko, rá, rá, rá!

Me lembro dos dias em que eu chorava assistindo Chaves. Acho que foi a primeira vez que ficção me fez chorar. Quem aí nunca chorou assistindo Chaves?

Quem nunca disse “Você não vai com a minha cara?”.

Eu lembro das minhas irmãs dizendo para mim “Carne de burro não é transparente!” quando eu estava na frente da televisão.

“Tá bom, mas não se irrite.”

“Ninguém tem paciência comigo.”

Vamos usar essas frases para sempre. E vamos nos divertir fazendo isso.

“Chaves” é um clássico. É único. Tinha tudo para dar errado e deu certo. Deu certo porque tinha pessoas talentosas. Este seriado é a prova de que é possível fazer um humor inocente, sem palavrões e insinuações de sexo. Chaves é eterno e sempre estará em nossas memórias e, principalmente, em nossos corações. E também no SBT, claro.

Eduardo Franciskolwisk

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Frases tiradas de músicas

“Com o quê você sonha? Eu te pergunto porque sonhei com você!

(Tú com qué sueñas?)

 

“Mas você pode me dizer como isto pode acabar?”

(Nom me lo so spiegare)

 

“Eu estarei lá para você, quando a chuva começar a cair.

Eu estarei lá para você, como sempre estive antes.

Eu estarei lá para você, porque você estará lá para mim também.”

(I´ll be there for you)

 

“Conheço a razão que faz doer o teu coração

Por isso eu quis te fazer esta canção”

(Días de enero)

 

“Estou tão cansada das canções de amor

Sempre falam de um final feliz...

Bem, sabemos que a vida nunca funciona assim”

(Canciones de amor)

 

“Prefiro amores platônicos

Consolo de tontos solitários

Prefiro amores impossíveis

Consolo de ter perdido demais”

(Amores Platónicos)

 

“Me diga se te causo uma revolução

Me diga se te faço mudar tua canção

Me diga se te faço suspirar

Me diga se te farei voltar a começar”

(Revolución)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Desperdício

Aqui se desperdiça energia elétrica, água, gasolina e comida. E desperdiçando tudo isso, desperdiçamos o verde da Terra. Mas que se foda a Terra, o que importa é que desperdiçamos o verde do dinheiro. Dinheiro que fará falta lá na frente.

Em casa, neste momento vários aparelhos estão ligados à toa: um computador, um ventilador, uma televisão, um aparelho de TV a cabo e um aparelho de DVD que está funcionando com uma televisão que está desligada (???). Geralmente, eu desligo tudo isso quando vejo que dinheiro está sendo jogado fora. Mas resolvi parar com isso. Ser idiota cansa!

Hoje, estou sozinho em casa. Houve uma rápida movimentação e um mau humor padrões que acontecem quando uma possível diversão se aproxima. Houve também a mesma indiferença de sempre, embora às vezes ela seja maquiada com alguma tinta barata. As pessoas fingem ser boas, mas só são quando querem alguma coisa em troca.

Estou desperdiçando a minha vida com pessoas cada vez mais vazias. E, incrivelmente, não tenho vontade de mudar isso. Já fui contaminado. A minha vida é cheia de nada.

Eduardo Franciskolwisk

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu peço: não me peçam nada!

nao me siga

Com todo o meu coração, eu peço: não me peçam nada!

A época em que eu fazia tudo o que me pediam ficou no passado. Não faço mais nada que me pedem. Agora, só faço o que quero e o que me interessa. Nada de perder tempo nos interesses dos outros. Até porque se fosse realmente de interesse deles, não pediriam para que fizessem e sim, fariam com suas próprias mãos.

A decisão que tomei tem um motivo bem simples. A vida inteira fiz o que as pessoas me pediram, dando o máximo de mim. Hoje, eu estou perdido, fudido e ferrado. Isso significa que eu estava no caminho errado. Este ano concluí que a solução para esse mal é não fazer o que me pedem.

Hoje, a minha mãe me pediu “Vai comprar pão pra mim?”. Eu estava comendo pão de forma quando ela perguntou isso. Aí, eu respondi “Não!”. Eu não tinha nenhum interesse em comprar pão, porque eu já estava comendo um. Então, para que eu perderia tempo com isso? Se ela realmente quisesse, ela que fosse à padaria.

E foi o que aconteceu. Mas antes, como sempre, ela me comparou ao meu pai dizendo “O seu pai também fazia isso, não gostava de ajudar os outros”. Foi uma bela tentativa de me fazer mudar de opinião e ir correndo comprar pão. Mas não funcionou. Não funciona mais.

Para mim, tanto faz se eu pareço com o meu pai ou com o prefeito de Bluffington. Isto não me importa mais, pois já me considero um caso perdido.

A vida inteira eu fui criticado de forma negativa. Eu acabei me acostumando com isso. Elogios não fazem bem ao meu ego. Durante a vida, quando fiz alguma coisa que achava que merecesse elogios e cobrei isso das pessoas, sempre recebi um “Você não fez mais do que a sua obrigação!”. E eu me acostumei com isso. Podem dizer que eu sou bonito, que escrevo bem ou que meus olhos azuis são fabulosos. Eu nunca vou acreditar nisso como elogio sincero. Sempre vou pensar que a pessoa está só sendo educada comigo (ou querendo alguma coisa).

Quando você sempre faz o que te pedem, você corre o risco de ser apedrejado nas poucas vezes em que se nega a fazer o favor. E pode escrever, depois que a pessoa se acostuma com você fazendo favores a ela, o que deveria ser um “Muito obrigado!” se torna o abominável “Você não fez mais do que a sua obrigação.”. As pessoas passam a te achar um bobo, um empregado e riem de você.

No emprego, quanto mais você quer fazer, mais cobram de você. E não cobram nada de quem faz pouca coisa. Cobram de você por ser uma pessoa responsável. E do irresponsável, não cobram nada, nem responsabilidade.

Seja irresponsável, vão aplaudir de pé o dia que você conseguir chegar no horário correto.

Não estude tanto. Se você passar em faculdade particular, vão fazer a maior festa. Se sua intenção for faculdade pública e não conseguir isso, vão te lembrar que você é um burro para o resto da sua vida.

O meu caso é como diz a música “...Já de saída a minha estrada entortou...”. Sempre fiz o que pediram e a minha vida não deu certo. Me dei mal. Por outro lado, deem uma olhada para aqueles que sempre fizeram o que quiseram e raramente ajudaram os outros: se deram bem!

Então, mudei a minha opinião. Não faço nada que eu não queira fazer. Sou chato! Já tinha fama de ser chato quando eu era legal, imagina agora que resolvi ser chato de verdade.

Não me peça nada que você pode fazer por você mesmo!

Quando não puder, talvez eu ajude. Mas não bote fé nisso porque estou virando uma pessoa insensível. E estou adorando isso!

Eduardo Franciskolwisk

sábado, 17 de abril de 2010

As Sete Maravilhas Modernas

ATENÇÃO: Esta lista não é oficial. Não existe. É uma invenção minha. É a minha opinião.

Há as 7 maravilhas do mundo antigo, que são as clássicas, e as 7 maravilhas do mundo moderno, que foram eleitas em um concurso realizado pela internet e que não é reconhecido pela UNESCO.

Eu também não concordo com as 7 maravilhas modernas. O motivo é simples: não se pode considerar uma maravilha moderna algo que foi construído há mais de dois mil anos. Desde quando o Coliseu é moderno? É lindo, mas não é moderno. E a Muralha da China? Mais antiga que Jesus Cristo. Já Machu Picchu não pode ser considerado uma maravilha moderna, afinal, não existe Machu Picchu, o que existe é a ruína da cidade.

Acho que esta lista está furada. Então, resolvi fazer a minha própria lista das sete maravilhas modernas. Nesta lista considerei os monumentos e prédios criados pelo homem há menos de 200 anos.

sete maravilhas modernas

Cristo Redentor (Rio de Janeiro, Brasil) - É um monumento de Jesus Cristo e é um símbolo do cristianismo. Foi inaugurado em 12 de outubro de 1931. Tem 38 metros de altura, sendo que 8 estão no pedestal. Está localizado no topo do Morro do Corcovado. É o cartão postal do Brasil para o mundo. Ao contrário das outras Maravilhas abaixo, esta eu já vi com meus próprios olhos.

Torre Eiffel (Paris, França) - Foi construída em homenagem ao centenário da Revolução Francesa. A torre possui 324 metros de altura e foi inaugurada em 31 de março de 1889. É o símbolo da França para o mundo.

Estátua da Liberdade (Nova Iorque, Estados Unidos) - Foi inaugurada em 28 de outubro de 1886 e comemora o centenário da assinatura da Declaração da Independência dos Estados Unidos. Tem 92,9 metros de altura, sendo que a base tem 46,9 metros e estátua tem 46 metros.

Casa da Ópera de Sydney (Sydney, Austrália) - É o símbolo da Austrália e também é um dos edifícios de espetáculos mais marcantes do mundo. Ficou pronto em 1973. Tem 5 teatros, 5 estúdios de ensaio, 2 auditórios, 4 restaurantes, 6 bares e inúmeras lojas de recordações.

Sagrada Família (Barcelona, Espanha) - É um grande templo católico. Teve sua construção iniciada em 1882 e ainda não está pronta. Estima-se a conclusão para 2026. Gosto desse edifício porque se parece muito com os castelos de areia que fazemos na praia quando pingamos areia molhada sobre ela mesma.

Big Ben (Londres, Reino Unido) - Esta torre com o relógio foi consagrada com o nome de Big Ben. Mas isso não é correto. O Big Ben é o sino de 13 toneladas que fica dentro da torre do Parlamento Inglês. Pois bem, nós (as antas da sabedoria popular), vamos continuar chamando a torre com o relógio de Big Ben, já que este sino nunca aparece nas fotografias. A torre tem 96 metros de altura. O relógio e o sino começaram a funcionar em 1859.

Castelo de Neuschwanstein (Baviera, Alemanha) -É um palácio alemão construído na segunda metade do século XIX (entre 1869 e 1886, aproximadamente) por Luís II da Baviera. É o edifício mais visitado e fotografado da Alemanha. Este castelo inspirou o Castelo da Cinderela na Disneylândia. Este é um castelo de contos de fadas real.

Eduardo Franciskolwisk

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Kraft é ótima

kraft club social

Que a justiça seja feita.

Neste blog, já falei mal de algumas empresas, pois tive motivos para isso. Hoje será diferente, pois falarei bem de uma empresa.

Comprei um Club Social de pizza em que vêm 6 pacotinhos. Em cada um destes pacotinhos vêm 3 lâminas de bolacha. Quando abri o pacote, percebi que um pacotinho estava diferente. Estava mais fino. Faltava uma lâmina da bolacha.

Resolvi ligar no 0800 da Kraft e ver o que a empresa faria. Ao telefonar, relatei para a atendente o que tinha acontecido. Ela me tratou muito bem e falou que isso acontece às vezes. Disse que a bolacha poderia ser consumida. Eu estranhei e perguntei:

— Posso mesmo comer a bolacha? Vocês não vão buscá-la para confirmar que o erro realmente aconteceu (e que não estou mentindo)?

Ela confirmou que eu poderia comer a bolacha e que enviaria outro pacote pelo correio. Como eu sou muito obediente, comi a bolacha. Não precisei de muito esforço para fazer isso.

O que eu achei legal foi que a empresa acreditou em mim e ainda me mandou um outro produto novinho. Praticamente, ganhei um Club Social inteirinho.

Não precisei comprovar que eu estava dizendo a verdade guardando o produto, nem precisei esperar que eles viessem buscá-lo enquanto morria de vontade de comer a bolacha.

Por acreditar na palavra de seu cliente (no caso, eu!) e ainda mandar um outro produto no conforto de minha casa é que coloquei na cabeça que a Kraft é uma ótima empresa.

E também porque é ela que produz o Bis, o Sonho de Valsa, o Club Social, a bolacha Trakinas... Ai, que delícia! Pararei por aqui, senão eu engordo só de digitar estes saborosos nomes.

Eduardo Franciskolwisk

terça-feira, 6 de abril de 2010

Fora do ar

fora do ar msn

Depois de apagar meu perfil no twitter e sair de cena do orkut, chegou a vez do MSN.

Não vou apagar a conta do meu MSN, mas resolvi dar um tempo.

Eu acho que estou me matando na vida real, então, resolvi fazer isso também na vida virtual.

Se existissem Internautas Anônimos aqui em Barretos, com certeza eu faria parte.

“Olá, meu nome é Eduardo e sou um viciado.”

Internet vicia. Então, tenho uma meta: duas horas por dia de internet, seja para escrever e publicar texto, seja para ver um vídeo no YouTube, seja para fazer qualquer coisa. A única proibição é o MSN Messenger.

Enquanto a internet está limitada, minha intenção é ver filmes, assistir televisão, ouvir música, ler livros, estudar e criar histórias infantis. Enfim, fazer mais coisas de gente normal.

Eu já consegui emagrecer um bocado. Por que eu não conseguiria limitar a internet também?

Força de vontade! Tudo o que depende só de você, é possível!

Meu MSN está fora do ar.

Eduardo Franciskolwisk

P.S.: Para manter contato, mande uma carta ou um e-mail. “E se você não tiver nada para dizer, não se preocupe. Eu saberei entender. Para mim, basta saber que você pensou em mim por um minuto. Porque eu sei ficar feliz com um simples “oi”. Requer pouco da gente e nos sentimos mais próximos. Me escreva.”

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os Namorados – Hans Christian Andersen

andersen

O Google substituiu o logo principal por um que contém imagens de contos de fadas. Está homenageando Hans Christian Andersen pelo aniversário de 205 anos de seu nascimento.

Hans Christian Andersen era um escritor dinamarquês e entre suas criações estão nada menos que “O patinho feio”, “O soldadinho de chumbo”, “As roupas novas do imperador”, “A pequena sereia”, “O rouxinol” e “A princesa e o grão de ervilha”. O cara não era fraco, não!

Quando eu tinha uns 16 anos, achei um livro dele em casa e peguei para folhear. Quando vi que ele era o autor de tantas histórias famosas, confisquei o livro para mim. Inspirei-me nele. Posso não ter conseguido nada, mas passei a escrever alguns contos com a intenção de que eles ficassem famosos. Mais famosos do que quem escreveu. Quem sabe eu ainda não chegue lá?

Na época, um conto não conhecido me chamou muito a atenção. Eu nunca mais me esqueci dele. Chama-se “Os namorados”. Para que vocês o conheçam, coloco-o a seguir na íntegra. Deliciem-se, assim como eu há 10 anos.

Eduardo Franciskolwisk

 

Os Namorados

O Pião e a Bola achavam-se numa gaveta, junto com outros brinquedos, e o Pião disse a Bola:

- Não vamos ser namorados, já que estamos juntos na mesma gaveta?

A Bola, porém, feita de marroquim, e tão vaidosa como uma senhorita elegante, nem resposta quis dar a semelhante pergunta.

No dia seguinte, veio o menino, dono dos brinquedos. Pintou o Pião de vermelho e amarelo, e pregou-lhe bem no centro um prego de latão. Era muito bonito quando o Pião girava.

- Olhe para mim - disse o Pião à Bola - que diz você agora? Não vamos então ser namorados? Servimos muito bem um para o outro: você pula e eu danço. Ninguém poderá ser mais feliz que nós dois.

- É o que o senhor pensa - disse a Bola - certamente não sabe que meu pai e minha mãe foram chinelos de marroquim, e que tenho dentro de mim uma cortiça.

E eu sou feito de mogno - disse o Pião - o próprio prefeito me torneou em seu torno, o que lhe deu um grande prazer.

- Se eu pudesse acreditar nisso! - disse a Bola.

- Quero nunca mais ver uma fieira em toda a minha vida se for mentira o que eu disse - respondeu o Pião.

O senhor advoga bem a própria causa - disse a Bola - mas não posso namorar. Estou quase comprometida com um sr. Andorinha. Cada vez que subo ao espaço, ele põe a cabeça fora do ninho e pergunta: "Quer? Quer?" Ora, eu intimamente já disse que sim, o que equivale a um meio compromisso. Mas lhe prometo que nunca o esquecerei!

- E isso vai adiantar muito! - disse o Pião.

E nada mais disseram.

No dia seguinte vieram buscar a Bola. O Pião viu como ela subia a grande altura, como um pássaro, desaparecendo de vista. Voltava todas as vezes, mas dava um grande salto cada vez que tocava o chão. Devia ser por causa das saudades, ou por causa da cortiça que ela tinha dentro dela. A nona vez a Bola subiu ao alto, e não mais voltou. O menino procurou muito, e nada: a Bola sumira.

- Bem sei onde ela está - suspirou o Pião - está no ninho do sr. Andorinha e com ele se casou.

Quanto mais o Pião pensava naquilo, tanto mais se apaixonava pela Bola. Por não poder tê-la, seu amor por ela aumentava. O fato de ter ela ficado com outro, tornava o caso mais apaixonante. O Pião dançava ao redor e zunia, mas sempre pensava na Bola, que em seus pensamentos se foi tornando cada vez mais bonita. Passaram-se assim muitos anos e o amor do Pião transformou-se num velho sonho.

O Pião não era mais moço. Um dia, porém, foi inteiramente pintado de dourado. Nunca fora antes tão bonito. Era agora um Pião de Ouro, e pulava, deixando um zunido pairando no ar. Aquilo sim, era formidável! Mas de repente ele saltou alto demais - e sumiu.

Procuraram por toda a parte, até na adega, mas nada de aparecer o Pião.

- Onde estaria ele?

Pulara para dentro da barrica de lixo, onde jaziam amontoados talos de couve, cisco e entulho caído da calha.

"Estou bem arrumado" - pensou o Pião - "aqui a douração não tardará a sair de mim. E que gentalha é essa em cujo meio vim parar!"

Olhou de esguelha para um longo talo de couve e para um estranho objeto redondo, que parecia uma maçã velha. Mas não era uma maçã. Era uma velha Bola que durante muitos anos estivera caída na calha, embebida de água.

- Graças a Deus, aí vem alguém com quem se pode falar - disse a Bola ao ver o Pião Dourado - eu, para falar a verdade, sou de marroquim, costurada pelas mãos de uma gentil senhorita, e tenho uma cortiça dentro de mim. Mas duvido que se veja isso agora. Eu estava prestes a casar-me com uma andorinha quando caí na calha, e ali estive por cinco anos, encharcada de água. É um longo tempo, pode crer, para uma jovem.

O Pião não respondeu. Pensava em sua antiga namorada, e quanto mais a ouvia, tanto mais certo estava de que era ela.

Nisto chegou a criada e quis virar a lata de lixo.

- Oh! Aqui está o Pião Dourado! - disse ela.

E o Pião retornou à sala, à antiga posição de respeito, mas da Bola nada mais se ouviu. O Pião nunca mais falou em seu antigo amor. O amor se extingue quando a amada passa cinco anos numa calha, embebendo-se de água. Nem a conhecem mais quando a encontram na lata de lixo.

Hans Christian Andersen

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