quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eu e minha irmã, o carro e minha mão

Esta história aconteceu em um dia 4 de janeiro; o ano, não tenho certeza. Não me lembro da placa do carro, muito menos do seu ano de fabricação, mas era um Corsa, um Corsa azul. Quase preto.

Nessa época, minha irmã estudava em Rio Preto e, às vezes, ela ia de carro para lá. Todavia, esta incrível história ocorreu nas férias! Naquele dia, fomos ao shopping e ela comprou alguns livros. Quando já eram 4 horas da tarde, saímos rumo a nossa casa, saímos rumo a Barretos. Mal sabíamos nós o que estava por vir!

Estávamos agora, na rodovia, praticamente, no meio do caminho. A calma reinava no interior do automóvel quando este, de repente, perdeu a estabilidade. Imediatamente, o susto colocou estas palavras na boca de minha irmã:

– Aí... O pneu furou! – e rapidamente pôs o carro no acostamento.

Com o susto passado e a glória pessoal elevada, ela voltou a dizer algumas palavras, consagrando-se desta vez:

– Tá vendo? Tá vendo como a sua irmãzinha é boa na direção? Se eu não fosse tão ágil e esperta, nesse exato momento, estaríamos mortos!

Eu fiquei quieto, não disse nada, mas pensei “Quem vai trocar o pneu?”

– Eduardo, você sabe trocar pneu? – perguntou-me ela.

– Eu? – respondi – Eu não sei não, mas vamos tentar! Eu já vi fazerem, não deve ser tão difícil. Para dizer a verdade, eu já tentei. O único problema é que o carro sempre cai quando eu o levanto com o macaco.

– Então, pega lá atrás.

Peguei tudo o que era necessário para trocar o pneu e começamos. Como eu já havia alertado, o problema era manter o carro em cima do macaco, sem que caísse, para podermos fazer a troca. Nem eu, nem ela. O carro sempre despencava de lá e voltávamos a estaca zero. Com a paciência esgotada, eu tive a maravilhosa idéia:

– Paula, vamos fazer assim: eu ergo o carro até uma certa altura, a hora que chegar na parte que o carro está escapando, eu seguro o macaco paro o carro não cair, e você continua girando esse troço aí. O que você acha?

– Boa idéia, vai! – disse ela.

E assim foi feito. Mas deu tudo errado. Foi pior do que imaginávamos. Enquanto realizávamos o meu “maravilhoso” plano, o carro, mesmo comigo segurando, caiu. Mas desta vez, ele não caiu, digamos assim, por completo! Ele caiu em cima da minha mão. Que, por sua vez, ficou em cima do macaco. Que, por sua vez , lógico, estava em cima do chão. Resumindo: macaco, minha linda mão, carro! Explicando: Minha mão ficou presa entre o macaco, que estava debaixo, e pelo carro, que estava por cima!

– Paula... – ela ainda não tinha percebido e por isso eu disse – minha mão está presa.

Ela olhou pra mim e fez cara de choro e logo avisei que não chorasse porque senão eu ficaria mais nervoso ainda. Ela mudou a expressão imediatamente, ficou normal, até pensei que ela queria chorar por dever, mas esqueçamos isso. Pedi para que ela me ajudasse a levantar o carro com as mãos e ela ajudou. Mas o carro não saiu do lugar. Eu fiz tanta força para tirar minha mão daquele sanduíche que ela acabou saindo não sei como! O que eu sei é que: saiu muito sangue, ninguém parou pra ajudar (mas sim, para pedir informações e como estávamos nervosos nem sabemos o que dissemos à mulher, mas achamos que ela esteja perdida até hoje!) e que demorou muito para chegar em casa naquele dia. Atualmente, não ofereço “uma mão” para ninguém, em nenhuma hipótese. Só eu sei a falta que uma mão poderia fazer. Tenho marcas pequenas desse acidente na mão esquerda que sempre me lembram disso. Dessa comédia!

Eduardo Franciskolwisk

Um comentário:

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