segunda-feira, 21 de abril de 2014

Pessoas Acomodadas

Um dia desses, estava saindo do trabalho às 10 horas da noite, mais ou menos. Descendo a rua, vinha um grupo de moleques de bicicleta no maior gás. Estava escuro devido à iluminação ruim. Na esquina, um carro vinha pela avenida e parou conforme mandava a sinalização. Neste momento passou o primeiro garoto, voando como se a bicicleta fosse um carro de Fórmula 1. Depois de alguns segundos, na mesma velocidade, passaram mais dois meninos. O carro começou a acelerar e eis que surge um retardatário numa bicicletinha pequena demais para o tamanho de seu corpo. A velocidade dele também era absurda. Por um triz o carro não avança sobre o moleque e o deixa estirado no chão, todo estropiado.

— Ou! – gritou o menino inconformado. Após uma pausa, ele continuou – Não sabe brecar, não?

O menino? Nada aconteceu com ele, mas achei engraçado porque imagino que ele também não sabia brecar. Pelo menos eu não vi nenhuma tentativa de frear da parte dele. Eu acho engraçado este tipo de situação: a pessoa pode se salvar brecando a bicicleta e a única coisa que ela faz é gritar dando bronca no outro porque o outro não brecou o carro. É este tipo de gente que, provavelmente, morre atropelado ou de batida em acidente. São pessoas acomodadas!

Na rodovia, já estive em situações onde tentei ultrapassar um carro e não deu muito certo, apareceu outro veículo vindo na minha direção. Eu não podia voltar para a minha faixa, pois estava no meio da ultrapassagem e não dava tempo. O outro carro vendo que eu poderia bater de frente nele, fez “a enorme gentileza” de me avisar isto jogando luz alta em mim. Avisou que eu estava prestes a trombar nele e se deu por satisfeito. Brecar que é bom, nada! Eu me pergunto: será que as pessoas são tão burras assim? Que tipo de ser acha que jogar luz alta é mais eficiente do que brecar?

É... pelo visto algumas pessoas levam a sério a frase “Nóis capota, mas não breca!”.

Tem também as pessoas que ao atravessarem a rua olham para ver se vem carro. E vem! No caso, o carro sou eu. O indivíduo viu que o carro vinha em sua direção e mesmo assim atravessa a rua. O pior é que a pessoa volta o rosto para frente e segue adiante como se nada de ruim pudesse lhe acontecer. Não acelera o passo e nem fica com o olhar fixo no carro para ver se vai dar tempo ou não de atravessar a rua. Segue a vida como se nada estivesse às suas costas prestes a atropelá-lo. Eu, numa situação dessas, ficaria de olho no carro e aceleraria o passo. Estes seres, não. Depois morrem e não sabem o porquê. Devem chegar lá no céu e assustar-se:

— Olha, mas que surpresa! Eu morri! Mas como? Como uma pessoa tão inteligente como eu veio parar aqui sem mais nem menos?

Eu tenho vontade de descer do carro e esbofetear gente assim.

No trabalho também existem pessoas acomodadas. A maioria é assim. Vê que o negócio vai feder e em vez de tomar alguma providência, a única coisa que ela faz é esperar o negócio feder. Aí sim, depois que fedeu, ela vai fazer algo a respeito: reclamar do absurdo que aconteceu. “Minha nossa! Como o ar está fétido! Quem é a anta responsável por isto?!”

Assim são as pessoas acomodadas. Pessoas que deixam o próprio destino nas mãos dos outros. É muita passividade. Eu até tolero, mas tem horas que me irrita muito! Então, passo a torcer para que estas pessoas fiquem bem acomodadas num caixão.

Eduardo Franciskolwisk

Um comentário:

  1. Eduardo
    E tá cada vez mais cheio de gente assim "acomodadas e muito folgadas", educação tá ficando pra trás. Daí morre e fazem essas passeatas absurdas nas ruas que viram em uma baderna total. Acho que tá faltando pais mais presentes na educação de seus filhos, tão jogando cada vez mais cedo as crianças na ruas, e infelizmente a vida "louca" educa assim.
    Que bom que voltou. Abraços!!

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