sábado, 19 de agosto de 2017

Quinta série


Tenho uma teoria: as pessoas nunca saem da quinta série. É máximo da evolução humana. Após a quinta série, o cérebro das pessoas não se desenvolve mais.

Depois que saí da quinta série, tinha uma professora que quando queria que parássemos de fazer bagunça gritava “Ô quinta série, vamos parar?” Em outras palavras, ela tentava nos intimidar dizendo que nós ainda éramos crianças para que, enfim, a obedecêssemos. Isso ficou grudado na minha mente pelo resto da vida. Sempre que vejo alguém fazendo alguma infantilidade penso na “quinta série” daqueles gritos. E de fato, nós nunca saímos da quinta série.

Eu me lembro de que quando estava no ensino fundamental e a minha vida e as pessoas eram difíceis pra caramba, pensava: “Isso vai mudar quando eu chegar ao ensino médio”.  Durante o ensino médio, nada mudava e tudo o que acontecia no ensino fundamental voltava a acontecer. E, então, eu pensava: “Isso vai mudar quando eu for para a faculdade”. Na faculdade, as criancices continuavam e eu já estava perplexo em como a evolução da mente e das interações sociais das pessoas havia estagnado, mas não podia fazer nada além de pensar: “Depois da faculdade, quando as pessoas começarem a trabalhar, aí sim, ela vão mudar.” E… Nada mudou! E aí, entendi que elas nunca mudariam. O pior é que com o passar dos anos, elas se tornam mais crianças ainda. Então, por causa disso, cheguei à conclusão de que as pessoas nunca sequer saíram da quinta série. O corpo, sim, mas a cabeça, não.

Desta forma, sempre que vejo os absurdos da vida acontecendo, me lembro de que tudo aquilo também acontecia quando eu tinha 11 anos, na quinta série, e fico abismado de como, realmente, nada mudou.

Eduardo Franciskolwisk
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