quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Portugal e Espanha pela CVC – Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)

Dia 2 – Lisboa

Museu Nacional de Arte Antiga – MNAA

O Museu Nacional de Arte Antiga foi o primeiro museu de verdade que eu conheci. Ele me surpreendeu muito porque eu imaginava que seria um museu pequeno e com poucas coisas para ver. Quando cheguei lá, ele não acabava mais. Já estávamos cansados e indo embora quando descobríamos mais uma parte que faltava conhecer.

O preço da entrada foi de 6 euros e todas as pessoas foram muito educadas e legais. Posso estar confundindo, mas acho que tive que deixar a mochila em um guarda-volumes. Achei esquisito, mas depois percebi que isto é bem comum porque aconteceu em todos os outros museus que fui. No MNAA não se paga nada a mais para guardar suas coisas.

O mais legal de estar neste museu, e eu sempre quis isto, é que eu estava diante de uma coisa antiga. De 500 ou 700 anos atrás. Coisas que sobreviveram ao tempo. Esta viagem como um todo me fez pensar que ao contrário do que pensamos, os antigos eram bem evoluídos e tinham uma boa tecnologia e técnicas que se perderam em algum momento.

No Museu Nacional de Arte Antiga é permitido tirar fotografias sem flash. E isto é muito legal e incentiva mais visitas.

Eu não entendo nada muito de arte ou coisas antigas, então vou deixar as fotografias e comentar o que eu achar legal em algumas delas.


Fôrmas para marcar bolos

Arqueta (arca de pequeno tamanho)

Fonte Bicéfala – Esfera Armilar, emblema de D. Manuel I (1495-1521)

Fonte Bicéfala – Rosto Feminino Coroado – Provavelmente representa a rainha D. Leonor, mulher de D. João II (1481-1495) e irmã de D. Manuel I.

Fonte Bicéfala – Camaroeiro, emblema da rainha velha D. Leonor, irmã do rei D. Manuel I.

Fonte Bicéfala – Rosto Masculino Coroado – Provavelmente representa o rei D. Manuel I.

“A virgem e dois anjos” – Frey Carlos
Quero saber se vocês conseguem me dizer quem é a virgem e quem são os dois anjos.

“Tríptico do Calvário” – Frey Carlos

“Inferno” – Mestre Português Desconhecido (1510-1520)
Fiquei abismado em como a pintura e o nome do quadro descrevem perfeitamente a minha casa.

Eu achei este quadro incrível. Leia a descrição e explicação do quadro “Inferno” que está no próprio museu:

“Embora o tema seja raro na pintura portuguesa, o sentido da composição é tradicional desde a Idade Média. Do canto direito, caem os condenados; ao centro, um grupo de penitentes ferve num caldeirão, entre eles dois frades (outros mais aparecem na pintura), demonstrando que ninguém está livre de cair no Inferno. Ao redor, outros pecadores sofrem penas segundo os seus pecados. A novidade está na junção que o pintor faz entre os diabos e o mundo extraeuropeu, com Lúcifer sentado num trono africano, vestido com toucados e traje de penas semelhantes às dos índios brasileiros e segurando uma trompa do Benim.”

Um close do “Inferno” para você.

Para não ficar muito grande e cansativo, continuo na próxima postagem!

Eduardo Franciskolwisk

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Portugal e Espanha pela CVC – Hotel e táxi em Lisboa


Dia 2

Lisboa

Chegamos ao Hotel Vip Executive Entrecampos por volta do meio-dia. Os quartos ainda não estavam liberados, então o hotel disponibilizou uma sala para que pudéssemos guardar as malas e saíssemos para conhecer a cidade.

A CVC diz que os hotéis são todos próximos ao centro, mas isto não é verdade. O hotel Vip Executive Entrecampos fica bem longe do centro, mas é um ótimo hotel e fica bem perto do supermercado Continente Bom Dia e de uma estação de metrô – o que não significa nada porque o metrô de Lisboa não leva aos principais pontos turísticos; aliás, não leva nem perto. Eu não andei de metrô em Portugal porque além de levar nada a lugar nenhum, estávamos com o ônibus da CVC (que na verdade não é da CVC e sim da Special Tours) e ele levava nos passeios. Além disso, nos disseram que o táxi em Lisboa era barato, porém não é bem assim... Há controvérsias vividas pessoalmente por mim.

Saímos do hotel e fomos comer alguma coisa nas redondezas. Logo vi muitas pastelarias. Porém, ao entrar nelas e ver o que tinha para comer, me surpreendi: vendia doces e não pastel. Então, se você for para Portugal, lembre-se de que a pastelaria é uma doçaria. E parando para pensar faz sentido, já que em espanhol “pastel” significa bolo, torta. Vocês se lembram do episódio do Chaves onde eles falam “bolo”, mas escrevem “pastel” na parede? Só que, para minha felicidade, nas pastelarias de lá tinham 2 ou 3 salgados.

Em Portugal, o presunto é chamado de fiambre. Lá o que é chamado de presunto é a perna do porco, temperada e defumada.


Táxi

Comemos e decidimos pegar um táxi até o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA). Eu nunca andei de Uber, mas o aplicativo dizia que o trajeto ficaria em 7 euros. Haviam nos dito que o táxi ficaria este mesmo preço ou até mais barato, por isso decidimos ir de táxi.

Paramos o táxi e perguntamos quanto aproximadamente ficaria a corrida, o taxista respondeu “8 euros, mais ou menos”. Entramos naquele carro e for a pior coisa que fiz em Portugal. O taxista fez a gente de otário, ele nos enganou. Eu, no meu primeiro dia em um país diferente – Portugal – no meu primeiro passeio, fui passado para trás. O motorista não andava com o táxi, ele enrolava muito, entrava na faixa atrás dos ônibus sendo que a pista do lado estava livre, não tinha ninguém. Eu cheguei a falar para ele ir pela outra pista e perguntar porque ele estava ficando sempre atrás das faixas que tinham trânsito. Ele respondeu que tinha que ficar naquela faixa, o que era mentira. Aquilo foi me dando agonia porque eu logo entendi o que ele queria fazer e fez. O valor do taxímetro só subia e no final deu 12 euros. Parece pouco, mas 4 ou 5 euros seria a metade de uma outra corrida. Poderíamos gastar na nossa volta ao hotel, por exemplo.

O taxista foi muito desonesto. Ficou muito evidente que ele sacaneou a gente. Então, eu que já não gostava dos táxis do Brasil, passei a odiar os táxis de Portugal pelo mesmo motivo: eles te enganam. Por isso, é melhor ir de ônibus, trem, teletransporte, metrô, bicicleta ou a pé. Quem sabe um Uber?

Pode parecer bobagem, mas isto me marcou muito. Minha primeira impressão do povo português foi péssima e decepcionante. Hoje, depois da viagem, digo que eu amei Portugal, mas odiei os portugueses. Portugal é lindo, interessante e surpreendente, já o povo português é grosso e mal-educado. 

Eduardo Franciskolwisk

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Portugal e Espanha pela CVC – Ônibus Fretado e Voo Iberia


Dia 1

Saímos da minha cidade até o Aeroporto de Guarulhos (GRU) em um ônibus fretado pela CVC. Ele estava com a suspensão quebrada e balançou tanto, mas tanto, que eu passei mal e fiquei boa parte da viagem agachado no banheiro do ônibus com ânsia de vômito. Eu não vomitava nada porque não tinha nada no estômago para vomitar, então eu só “gorfava”.


Este é o ônibus com a suspensão quebrada que
me proporcionou emoção a viagem inteira.


Imaginem a cena: eu de cócoras no banheiro minúsculo de um ônibus em movimento com a boca em cima da privada e segurando onde podia para não enfiar a cabeça dentro do vaso sanitário enquanto o ônibus sacudia suavemente como se eu estivesse dentro de um liquidificador.

Foi uma linda forma de começar a minha primeira viagem internacional.


Check-in Iberia

Chegamos em São Paulo no aeroporto de Guarulhos e já fomos fazer o check-in no balcão da Iberia. Apesar do atendente ter visto que eu e minha mãe estávamos juntos, ele não nos perguntou se queríamos sentar juntos. Quando pedimos ele já tinha nos colocado em poltronas separadas, mas falou que tentaria mudar. Ele disse que tentou, mas não conseguiu. Desta forma, viajaríamos em filas diferentes, porém, um atrás do outro. Foi o mais próximo que ele conseguiu no colocar.

A Iberia cobra para marcar assento. E cobra caro. É por isto que o atendente aqui do Brasil não se esforçou para que eu e minha mãe sentássemos juntos. É uma forma de dizer “Dá próxima vez, se quiser viajar um do lado do outro, pague!”. Ponto negativo para a Iberia, pois também é uma forma de proporcionar uma experiência desagradável para o passageiro. Com certeza, futuramente isto será levado em consideração quando eu for escolher uma empresa aérea.


Voos Iberia


Voo Iberia: forneceram uma manta e um travesseiro.


O voo de São Paulo a Madri foi tranquilo. Não gostei da educação das aeromoças da Iberia porque parecia que elas não tinham muita paciência com os passageiros. Na verdade, - não sei bem o porquê, é apenas uma impressão minha - acho que não trataram os passageiros bem porque a maioria era brasileiro.

A distância de uma poltrona à outra era bem pequena e por isso não era muito confortável. Havia na frente de todas as poltronas uma tela touch screen que só funcionava quando queria, mas era possível assistir vários filmes recentes.


Uma tela "touch screen" em cada poltrona
com filmes conhecidos e recentes. 


Durante o voo, eu passei sede porque não sabia que podia encher a garrafinha de água antes de entrar no avião e fiquei com vergonha de ficar pedindo água toda hora para as aeromoças. Hoje, eu me pergunto se era vergonha ou medo, tendo em vista que aquelas aeromoças não eram muito carismáticas. E eu não estava a fim de morrer naquele dia...

Era um voo de 10 horas, deu tempo até de desconfiar da mulher que estava sentada à minha esquerda. Achei que ela estava roubando coisas do avião. Ou de mim. Ela abria a bolsa debaixo das cobertas e demorava bastante mexendo em alguma coisa, enrolando e olhando para os lados. Teve uma hora que fui ao banheiro e quando voltei, cismei que ela poderia ter mexido na minha mochila. E foi aí que eu lembrei que eu não tinha colocado a doleira na minha cintura. Então, fiquei bastante ansioso e preocupado. Esperei ela ir ao banheiro e conferi se tudo estava na mochila, inclusive o dinheiro, e aí coloquei a doleira no meu corpo.

Chegamos em Madri e fomos passar pela imigração. Entramos numa fila, mas a fila do lado era menor. Então, mudamos de fila. E, como todos sabemos, a fila do lado sempre anda mais rápido do que a nossa. A fila da qual saímos estava maior, mas andava mais rápido. Então, vimos as pessoas que estavam atrás da gente serem atendidas bem antes.

Depois pegamos uma outra fila, enorme, para sermos revistados, pois pegaríamos um outro voo com destino à Lisboa. Eles pediram para tirar os eletrônicos e metais da mala de mão e da mochila para passar no Raio-X. Minha máquina fotográfica e a mala de mão foram escolhidos para serem analisados por uma pessoa. Isto é muito normal, eles fazem isso com todo mundo e em qualquer suspeita. Da mala de mão ela pegou a bolsinha de remédios, mexeu, olhou e depois mandou eu colocar tudo num saquinho transparente “ziplock” que ela me deu.

Já com a máquina fotográfica ela foi além. Mandou eu abrir a bolsa, apalpou os lados e passou um papel em todas as partes. Ela ia fazer o teste de drogas. Torci e rezei para que desse negativo. Eu não tinha motivos para ter medo nenhum, mas vai que dá uma zebra e me escolhem como bode expiatório. Depois, ela mandou eu pegar minha coisas e disse algo que não entendi direito. Então, eu não sabia se estava preso ou liberado. Como estávamos em grupo, me disseram que eu estava liberado. Sendo assim, pegamos o outro voo com destino a Lisboa, também pela Iberia.

Chegamos em Lisboa, pegamos as malas na esteira e na hora do “transfer” uma moça fez a gente ficar esperando um tempão. Deu a entender que a CVC tinha esquecido de mandar a lista como os nomes para esta moça que estava no aeroporto. Sei lá, não entendi direito, só segui os outros. Eu ainda não estava 100% devido ao ônibus com a suspensão quebrada do começo da viagem que me fez ficar com ânsia de vômito.

Eduardo Franciskolwisk

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Por que não pode tirar fotos dentro da Biblioteca Joanina?

Prédio da Biblioteca Joanina

Localizada na cidade portuguesa de Coimbra, a Biblioteca Joanina é deslumbrante. É um lugar que você não pode deixar de conhecer.

Para se ter uma ideia do quanto ela é bonita basta dizer que a Biblioteca Joanina foi a inspiração para a biblioteca do castelo da Fera no “live-action” de “A Bela e a Fera” da Disney.






As fotos acima são roubadas emprestadas da internet, já que não se pode tirar fotografias no interior da Biblioteca Joanina.

A biblioteca tem vários livros raros (não consegui achar o nome de nenhum conhecido) dos séculos XVI a XVIII (anos de 1501 a 1800) e parar ajudar na conservação destas obras existem morcegos vivendo lá dentro. Durante o dia os morcegos ficam dormindo escondidos atrás das cortinas e durante a noite eles saem para viver a vida e comer os insetos que ali houver. Isto ajuda na preservação dos livros.

Outra curiosidade é que havia funcionários colocando livros em prateleiras vazias. Foi explicado que os livros, de forma rotativa, são colocados em uma câmara sem oxigênio por 21 dias para limpeza. Esta técnica mata qualquer praga que houver no interior dos livros.

Como eu já disse, era proibido tirar fotos do interior da Biblioteca Joanina. Mas como é um lugar muito bonito, quem vai lá fica decepcionado de não poder tirar nenhuma foto de recordação. Afinal, quem acreditaria que tal lugar belíssimo existe mesmo se não temos a foto para mostrar?

Eu respeitei a ordem de não tirar nenhuma foto do interior. No entanto, outras pessoas se fizeram de desentendidas e fotografaram. É compreensível, ir na Biblioteca Joanina e não poder tirar nenhuma foto é decepcionante, pois é um lugar incrível. As funcionárias de lá mais diziam “Ei, não pode tirar fotos” do que faziam o seu trabalho.

Ora pois, eu fiquei cá a me perguntaire (leu com sotaque português de Portugal?): Por que não se pode tirar fotos do interior da Biblioteca Joanina?

Procurei uma resposta na internet e não achei nenhuma resposta. Então decidi escrever para lá e eles foram muito atenciosos respondendo o meu questionamento. Segue a resposta na íntegra:


Prezado Senhor Eduardo

A Biblioteca Joanina é considerada uma das mais ricas e belas bibliotecas do mundo, o ex-libris da cidade de Coimbra. Tendo como base a fundamentação de especialistas de conservação do património, foi ponderado restringir a captação de imagens no interior da Biblioteca para melhor preservar este tesouro. De acordo com os mesmos, os dispositivos fotográficos poderão afetar o douramento das estantes e a pintura dos painéis com miniaturas ao gosto oriental.


A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra possui um regulamento de utilização da Biblioteca Joanina (https://www.uc.pt/bguc/ProjetoSOSLivroAntigo/RegUtilBibJoanina) onde especifica a necessidade da estabilização das características ambientais no seu interior para que se mantenham em bom estado de conservação as coleções bibliográficas e a decoração interior.


Remetemos também esta fundamentação para o Despacho nº 10946/2014 da Direção-Geral do Património Cultural, Diário da República, 2ª Série, Nº 164, 27 de agosto de 2014, no que diz respeito à captação de imagens nos edifícios e acervos dos Museus, Monumentos e outros imóveis afetos à DGPC.

Esperamos de Vª Exª a melhor compreensão para as medidas estabelecidas na conservação deste património.


Com os nossos melhores cumprimentos,


Biblioteca Joanina” (tirei o nome da pessoa que respondeu)


Eu entendo e respeito a posição dos responsáveis pela biblioteca, mas bem que eles poderiam estudar a liberação de foto sem flash. Por outro lado, entendo também que se liberarem fotos sem flash, muitas fotografias serão tiradas com flash - com ou sem intenção da pessoa - e isso é exatamente o que os especialistas não querem que aconteça porque danificaria a maravilhosa Biblioteca Joanina.   

Eduardo Franciskolwisk

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Vantagens e Desvantagens de Viajar com a CVC

Vale a pena viajar pela CVC?

Depende. Veja as vantagens e desvantagens de viajar pela CVC, na minha opinião, tendo como base uma viagem para Portugal e Espanha no ano de 2019.


Vantagens

Ida e volta a São Paulo de ônibus fretado
Como fomos com uma excursão, a CVC fretou um ônibus que nos pegou em frente da loja de nossa cidade e nos deixou no Aeroporto de Guarulhos. Na volta, nos pegou no aeroporto e nos deixou em nossa cidade. Pagamos 230,00 por pessoa. Foi barato porque não tivemos dor de cabeça para chegar no aeroporto, nem tivemos que dirigir. Se fôssemos de ônibus de linha regular, ainda teríamos que pegar táxi ou metrô para chegar ao aeroporto. Se fôssemos de carro até São Paulo, gastaríamos com gasolina e com o estacionamento do carro, sem contar o desgaste de dirigir ansioso pela viagem ou cansado depois de um voo de 10 horas.

Não pagamos taxa de hospedagem ou taxa turística
Lá na Europa inventaram uma taxa para o turista que deve ser paga por cada noite dormida. É a taxa de hospedagem ou taxa turística. Apesar do turista estar gastando muito dinheiro para conhecer a cidade, eles não ficaram satisfeitos e inventaram mais esta taxa para o turista pagar. Cada cidade cobra o seu próprio valor e pode variar de acordo com qualidade do hotel. Um hotel 5 estrelas provavelmente cobrará uma taxa maior que um 3 estrelas. A taxa pode variar de 1 a 5 euros por noite e por pessoa. Pode parecer pouco, mas para nós - os brasileiros pobres -, se fizermos o cálculos veremos que é um valor considerável. Uma pessoa que fique 12 noites na Europa, considerando uma média de 4 euros por noite, pagará 48 euros ou 221 reais cada pessoa (considerando 1 euro = 4,61 reais, que foi o que eu paguei em abril/2019). Para duas pessoas, o valor será 442 reais; se formos em 4 pessoas na família, pagaremos 884 reais. Indo com a excursão da CVC nós não pagamos esta taxa. Provavelmente já estava incluída no valor de compra do pacote. Então, nós não pagávamos nada na hora de deixar o hotel, mas tomávamos o cuidado de não consumir nada do frigobar.
 
Conhecer várias cidade em poucos dias
Aqui está uma vantagem que ao mesmo tempo pode ser uma desvantagem: só depende de você. Fazendo o passeio com a CVC, conhecemos 21 cidades em 13 dias. São muitas cidade em poucos dias. É muito cansativo, mas vale a pena se a sua intenção é conhecer os lugares de vista, mas sem muita profundidade. É possível ver os principais pontos turísticos das cidades porque o ônibus te leva até lá sem nenhuma preocupação. Vi tantas cidades e lugares que, além de casado, eu não sabia onde estava. Chega uma hora que você começa a confundir tudo. Pode parecer ruim, mas é a única forma de conhecer um pouquinho mais de um país em uma única viagem.

Pagamento em 11 vezes (1 + 10 no cartão)
O pagamento pela CVC é facilitado. No meu caso paguei em 11 vezes: primeira parcela à vista e mais 10 outras no cartão de crédito. Mas tinha também a opção de pagar as outras 10 parcelas no boleto.

Você conhece outras pessoas da sua cidade ou do brasil
Em uma excursão da CVC, você vai encontrar outros brasileiros que estão fazendo o mesmo roteiro que você. Se você vai em um grupo com pessoas da sua cidade, será possível conhecer pessoas que você não conhecia antes.


Desvantagens

Os hotéis são bons, mas...
a CVC só avisa os nomes dos hotéis com 1 semana de antecedência. Então, não é possível você se programar com antecedência. Eu, por exemplo, fiz a compra em janeiro e só fiquei sabendo os nomes dos hotéis em abril. Além disso, nenhum hotel que fiquei estava localizado no centro ou próximo dele. A maioria estava longe, muito longe de tudo. Acho que eles avisam com 1 semana de antecedência justamente para não dar tempo nem de reclamar um pouquinho. 

Horários apertados
Como são muitas cidades em poucos dias, é muita correria. Não dá para apreciar ou conhecer nada direito. Por exemplo, eu queria muito entrar na Torre de Belém, mas no passeio estava incluído só apreciar por fora por uns 30 minutos. Ou seja, era só para tirar foto e falar que foi lá. Isto é bem broxante. Não dava nem para sonhar em chegar perto do monumento Padrão dos Descobrimentos.

Tempo no ônibus
É uma excursão. Como já era de se esperar: você vai ficar mais tempo no ônibus do que em qualquer outro lugar. Você desce do ônibus, respira um ar estrangeiro e logo depois já tem que entrar de novo para seguir viagem. Ah... e os ônibus na Europa não têm banheiro igual aqui no Brasil.   

Roteiros e paradas não são muito claros
A CVC não sabe detalhar como serão os passeios, onde iremos fazer paradas ou em qual monumento vamos entrar. Ou, se sabem, não nos contam. Eles te dão um roteiro bem genérico e te deixa meio perdido. Para mim, que gosto de me programar em tudo, isto não foi bom. Voltando ao exemplo da Torre de Belém: era só ver por fora e tchau. Então, eu tive que “perder” um outro passeio que era pago à parte para poder voltar na Torre de Belém e entrar. Entrei também no Mosteiro dos Jerônimos e no Museu Nacional de Arqueologia.

Eles não te devolvem no hotel
Quando o passeio da manhã faz parte do pacote, mas o passeio da tarde é pago à parte, eles não devolvem as pessoas que não compraram o passeio da tarde no hotel. É um absurdo, mas eles te deixam para trás e você que se vire para voltar para o hotel. O correto seria pegar todo mundo e levar de volta ao hotel para deixar quem decidiu descansar. Assim, quem for fazer o novo passeio fica no ônibus e depois segue viagem. Não é assim. Você paga a ida e volta e recebe como produto só a ida. Você que se lasque na hora da volta. Ou que pague a volta 2 vezes contratando um táxi.

Passeios pagos à parte
Aqui está uma pegadinha. Dentro do que você paga no pacote, ele deixam alguns dias com a tarde livre justamente para poderem te vender mais um passeio naquele tempo livre. Eu não fui em nenhum. Deixei para conhecer os lugares que eu queria conhecer e eles não levaram. Em Lisboa, conheci (leia-se paguei ingresso e entrei) a Torre de Belém, o Museu Nacional de Arqueologia e o Mosteiro dos Jerônimos. Em Madri, conheci o Museu do Prado. Então, na minha opinião estes passeios pagos à parte são uma desvantagem porque são caros e você deixa de conhecer o lugar em que já está e que já pagou por ele.

Terceirizam com a Special Tours
Não vi em Portugal ou na Espanha, nenhum ônibus da CVC. Na verdade, eles terceirizam o serviço com uma empresa chamada Special Tours. Ou seja, não é um produto da CVC. Mas isto você só descobre quando chega lá.

O passeio panorâmico...
é frustrante. É uma tremenda roubada. Fuja! Eles te colocam dentro do ônibus e andam pela cidade. É panorâmico mesmo, não importa o que a vendedora da CVC te disser. Não param em nenhum lugar. Muito menos andam devagar com o veículo. Não dá para ver muita coisa e, na verdade, dependendo do seu lugar no ônibus você quase não verá nada. É melhor ver pela internet com o Street View do Google Mapas ou por fotografias. Na hora de vender eles vão dizer que param sim nos lugares para fotografias: não acredite. Eles não sabem do que estão falando. Até porque eles vendem, mas não são eles que executam o serviço. Em Madri, o passeio panorâmico foi um pecado, um desperdício, uma tristeza. Compensava mais ter ido ver o filme do Pelé. É uma perda de tempo.

Informações não confiáveis ou desencontradas
A CVC não dá muitas informações confiáveis. Por exemplo, me disseram que pela Ibéria, além da bagagem de mão, só poderíamos levar e trazer 1 bagagem de 23 Kg. Achei estranho porque no site da Ibéria não existia esta a opção: ou você comprava a passagem sem direito a bagagem de porão ou comprava com direito a 2 bagagens, no mínimo. Através de um grupo de WhatsApp no qual estavam todos os outros passageiros, pedi para a CVC confirmar a informação e eles confirmaram: apenas 1 bagagem de porão. Eu ainda desconfiei da informação e apenas uma semana antes da viagem, quando eles deram o número da reserva, liguei na Ibéria e perguntei diretamente para eles: tínhamos direito a 2 bagagens de porão. Os outros passageiros só descobriram isto próximo da volta quando conversaram com outros passageiros de outras cidades e eles disseram que eram 2 bagagens. Aí, perguntaram de novo para CVC da cidade que compramos e eles confirmaram: era 2 bagagens. Puxa vida, por que não checaram a informação de que eram 2 bagagens quando eu pedi? A resposta é: por que no ônibus que te leva durante o trajeto em terras europeias você tem direito a 1 bagagem mais a mala de mão. Então, mesmo que no avião você tivesse direito a 5 malas, no ônibus da Special Tours você só tem direito a levar uma. Agora, cá entre nós, você acha mesmo que as pessoas levavam uma mala só? No começo sim, mas no final da viagem quase que as bagagens não cabiam no maleiro do ônibus.

Você fica refém de gentilezas e erros dos outros
Quando você vai em um grupo com muitas pessoas, você vai ficar preso em erros e gentilezas de outras pessoas.

No primeiro hotel que ficamos, nos colocaram em um quarto com uma cama de casal. Eu tinha sido muito claro que queria 2 camas de solteiros. Eles nos puseram em outro quarto tranquilamente. No segundo hotel, aconteceu o mesmo erro e pedi para trocar novamente. Mas aí eu já saquei a possibilidade do erro ser de quem fez a reserva nos hotéis e perguntei para a moça do hotel e ela confirmou que nosso quarto estava reservado como cama de casal. E eu fiquei puto da vida porque eu ia ter que ficar pedindo para trocar de quarto em todos os hotéis que fosse e havia a possibilidade de que eles não trocassem. Eu reclamei com a CVC e foi resolvido. Mas fiquei com uma sensação ruim, de que o quarto ia estar errado, toda vez que entrávamos em um novo hotel.  
       
Teve um dia que minha mãe perdeu o celular e ela achava que tinha deixado no ônibus. Tínhamos parado para almoçar e depois faríamos um passeio de barco ali mesmo naquele local. Perguntamos para o motorista se ele podia ir até o ônibus com a gente para ver se o celular estava lá. Ele disse que não podia. Então, bem chateados por causa da perda do celular, decidimos não ir no passeio de barco e ficar no ônibus esperando o pessoal voltar. Eu calculava esperar o motorista por umas 3 horas já que ele disse que não podia ir lá no ônibus com a gente. Em menos de 20 minutos o motorista apareceu. Aí, a gente achou o celular e ainda conseguiu fazer o passeio de barco. E a pergunta é: custava o motorista ter falado que naquela hora ele não podia, mas que em 20 minutos ele poderia?  

Deixe um comentário com a sua opinião ou conte para a gente suas experiências positivas ou negativas.

Eduardo Franciskolwisk

terça-feira, 11 de junho de 2019

Tristeza


Hoje eu estou triste. Passei o dia todo assim. Talvez porque fosse segunda-feira e este é o dia que mais exige de mim. Todas as segundas são tristes, mas hoje foi uma tristeza mais profunda.

Pensei que o dia seria normal, mas hoje nenhuma alegria entrou em mim. Nem as fingidas.

Talvez eu saiba o motivo: perder o que nunca tive, perder o que não quero ter. Esquisito, né? Pois, eu sou todo esquisito e isto é muito evidente em mim. Esta também pode ser a razão da minha tristeza de hoje. Talvez, meu subconsciente tenha me dito isto o dia todo e eu tenha ficado incomodado.

Fazia tempo que eu não sentia isto. Uma tristeza que gruda e não larga mais.

Espero que amanhã eu acorde melhor, que hoje tenha sido somente um lembrete de como a depressão pode sugar toda a sua vida, sua energia.

Acho que hoje a vida passou o dia todo me dizendo “Olhe lá, os outros. Agora olhe você. Fracassado”.

Talvez minha tristeza de hoje seja por causa de ontem. Eu meio que queria sair para comprar um hambúrguer e não consegui. Imaginei demais. Pode ser que a tristeza tenha se acumulado em um nível no qual ela não conseguiu mais se esconder. Teve que se manifestar.

Então, como quando estou triste consigo expressar mais as ideias de forma lógica e simples, vim escrever este desabafo. Escrever me acalma. Sozinho, de madrugada. Quando todos estão dormindo, tento entender ou consertar meu defeito que eu não sei se é de fábrica ou se foi adquirido na infância. Eu consigo ser triste até nos momentos felizes.

Às vezes eu acho que a tristeza vem para amadurecermos. E se for assim, está explicado a minha idade mental de um velho chato e careta de 150 anos. Às vezes eu acho que a tristeza veio porque mesmo com muito dela, não consegui crescer nem amadurecer nada, sou uma criança de 8 anos de idade.

Hoje me senti muito triste. Uma tristeza profunda, lá na alma. Talvez lá no fundo de mim eu saiba o motivo. Os outros. Ou talvez esta seja só uma tristeza normal da vida. Ou talvez esta tristeza seja o preço a pagar por aquele outro dia de felicidade. De todas as formas, espero que amanhã não esteja assim.  

Eduardo Franciskolwisk

sábado, 25 de maio de 2019

Beleza Americana



Há uns 2 meses, aconteceu uma coisa surreal comigo. Na hora eu não acreditei e até hoje eu me pergunto se aquilo aconteceu mesmo. O título da postagem é devido ao filme de mesmo nome. Coloquei este título porque foi a primeira coisa que veio na minha mente depois que aconteceu o que vou contar.

Um dia, um vizinho comentou com a minha mãe:

— Não pago mais TV por assinatura. Comprei um aparelhinho que pega todos os canais sem pagar nada.

Era o famoso SkyGato ou Gato Net.

Ela me contou e eu falei que achava melhor continuar com a TV por assinatura oficial.

Um tempo depois, minha mãe reclamou que a TV a cabo estava muito cara e que queria parar de assinar. Eu falei “OK, liga lá e cancela. Depois, a gente pergunta para o vizinho onde ele comprou o aparelhinho e pede para ele mostrar na casa dele como funciona”.

Então, ela cancelou a TV e na primeira vez que vi o vizinho, pedi para ele me mostrar o SkyGato. Na hora ele me chamou para entrar e ver como era o aparelho e a qualidade da imagem. Na sala, a esposa dele estava assistindo a um filme em uma espécie de Netflix. A qualidade parecia boa, mas eu queria ver mesmo eram os canais da TV. Quais eram, quantos tinham, se pegavam certinho, etc.

E é aqui que começa o meu problema.

Quando o vizinho colocou no programa em que se assistia a TV a cabo pirata entrou em um canal adulto (leia-se canal pornô) que pediu uma senha para liberar o filme. Então, ele comentou:

— O aparelho está com este problema. Toda vez que eu entro, entra neste canal. Não sei o que está acontecendo.

A esposa me olhou e disse ironicamente:

— Ele não sabe o que está acontecendo. Não é ele que põe neste canal. 

Aí, eu já fiquei meio sem graça. Percebi que não tinha como mudar de canal sem ter que colocar a senha. Para não piorar a situação, eu falei:

— Se hoje está com problema, outro dia vocês me mostram como funciona. Quando tiver funcionando vocês me avisam.

E fui para casa já com uma má impressão do aparelho. Vi pouco e o que tinha visto não me agradou. Sem contar que achei o aparelho caro para algo que não tinha nenhuma garantia e que poderia parar de funcionar a qualquer momento.
Não me lembro quantos dias se passaram. Mas não foram muitos. Eu estava dormindo e o interfone tocou. Xinguei muito mentalmente. Levantei todo sonolento para atender o maldito ser que me acordava em um domingo de manhã.

— Quem é?

— É o vizinho. Esse carro que está aqui na frente é de alguém que está aí? O farol está ligado.

Meio dormindo, meio acordado, coloquei uma bermuda e fui lá fora ver que carro era. Não tinha ninguém em casa além do normal, mesmo assim eu fui. Vai que alguma irmã minha deixou o carro aqui e saiu? Como eu estava dormindo fiquei na dúvida.         

Eu não fazia ideia de quem era aquele carro e disse isto para o vizinho. Aproveitei que ele estava ali e perguntei se ele podia mostrar a TV naquela hora. Ele falou que podia. Eu fui, mesmo não tendo acordado direito.

E é aqui que acontece o problemão.

Mas antes tenho que voltar no tempo. Sei lá quanto, vamos voltar 1 ano e meio, mais ou menos.

Sempre que eu entrava ou saía de casa e via algum vizinho antigo, cumprimentava e, às vezes, conversava um pouco bobagens do dia a dia. Sabe aqueles assuntos “que calorzão, hein!”. No entanto, às vezes o assunto se estendia um pouco.

Comecei a ter um problema com este vizinho a ponto de evitar conversas que passassem do “oi” e “tchau”. O problema é que ele começou a falar coisas que por tabela insinuavam que eu era gay. Perguntas do tipo:

— Você não vai casar?
— Você não vai namorar?
— Você já namorou mulher? – captaram a insinuação?

E daqui para frente foi só ladeira abaixo. As perguntas foram ficando cada vez mais diretas e indiscretas.

Eu sempre me explicava, tentando falar que eu não era gay, mas que esta coisa de relacionamento não era para mim. As perguntas dele me incomodavam e eu respondia porque me incomodava o fato dele achar que eu era gay. E não era só ele. Ao longo da minha vida, todo mundo falava que eu era gay. Sempre. Não sei certamente o que faz as pessoas pensarem isto de mim, mas ultimamente tenho desconfiado de uma coisa: sorrir demais e ser educado.

Homem não pode nem sorrir nem ser educado nem tentar ser legal. Homem que é homem fica de cara fechada, não dá bom dia e nem ajuda ninguém. Homem se impõe pela força e assedia de todas as formas. O resto é tudo gay.

As perguntas, porém, chegaram no ponto do absurdo. A partir deste ponto eu passei a evitar as conversas com ele e não respondia diretamente, só enrolava e mudava de assunto. Era coisas bem íntima e pessoais, mas eu relevava porque o cara era velho e podia estar ficando gagá, tipo o Silvio Santos. Quando se fica velho é normal perder o senso de absurdo.

As conversas eram muito loucas e teve um dia que eu me matei de dar risada quando entrei em casa. Eu estava com o meu cachorro no colo e ele ficou excitado, com o pinto duro. O vizinho viu e me perguntou:

— Você já deu a bunda pro seu cachorro?

Eu comecei a rir, achando que ele estava brincando comigo, me zoando e respondi:

— Não! Que isso? Você está louco? – mas achei engraçado e estranho e continuei rindo sem acreditar na pergunta.

Foi quando ele comentou com a cara séria:

— Pois eu tinha um cachorrinho e ele morreu. Que falta me faz aquele cachorrinho!

Aí, eu segurei a risada e entrei em casa pensando “Será que ele tem noção do que ele falou?”. O que ele disse ali é que ele dava a bunda para o cachorro. E eu me matei de rir com isto.

Então, voltamos ao dia em que o vizinho ia me mostrar a SkyGato. Como eu estava evitando ele, fazia tempo que não tinha as conversas invasivas e nem me lembrava disto. Eu fui até lá para ver como funcionava a TV. Só isto.

Entramos. Era um domingo de manhã, a mulher dele tinha ido à missa. Ele ligou a TV normalmente e foi mostrando os canais. A maioria não pegava ou tinha a imagem ruim. Eu perguntava os canais e ele mostrava. Chegou uma hora que ele colocou no canal pornô e eu sem graça perguntava “E o canal tal? Vê se pega.” para ele mudar de canal, mas ele não mudou. Ele começou a fazer perguntas bem adolescentes tipo “O seu pau também fica duro quando você vê filme pornô?”. Respondi que “sim, lógico” sem graça, achando que ele estava insinuando mais uma vez que eu era gay porque eu estava sem graça por causa do filme que estava passando. E eu sempre pedindo para colocar no canal tal para ver se pegava. Foi quando ele falou “Olha aqui pra mim” e eu olhei. Ele estava com o pinto para fora da calça.

Ali eu entendi duas coisas. A primeira coisa que entendi foi que o gay não era eu. A segunda coisa foi que eu tinha me metido numa fria e não fazia a menor ideia de como sairia daquela situação.

Eu não acreditava no que estava acontecendo. Não acredito até hoje que isto aconteceu. Foi surreal.

Na hora que ele mostrou o pinto eu olhei para ele e falei “Que isso? Não, não tem nada a ver. Para com isso.” Aí, eu fingi que nada tinha acontecido para tentar sair daquela situação. E continuava pedindo “Vê se tem tal canal”.

Eu fingi que não aconteceu, mas aconteceu. E eu pensei em um monte de coisas em um curto espaço de tempo. Lembro que minha boca secou. Minha boca nunca secou tão rápido quando neste dia. Na hora eu pensei em bater no vizinho gay. Seria bem idiota bater em alguém por ser gay, mas o motivo não era esse. O motivo era que eu senti que tinha caído numa armadilha. Aí, eu pensei: se eu bato nele vou ter que dar satisfação do porquê para outras pessoas e contar o que aconteceu aqui agora não será nada legal. Então decidi só agredir fisicamente se ele me encostasse. Ele não encostou em mim em nenhum momento, desde que eu cheguei até a hora que eu fui embora.

Bater nunca foi a primeira opção, mas eu bateria para me defender. E eu ficava pensando como vou explicar que bati no vizinho velho, que me conhece desde criança, que tem filhos e netos. Vou falar o quê? Que bati em alguém mais fraco que eu porque ele me mostrou o pipi dele? Vão falar o que de mim? Que sou gay ou agressor de idoso?

Depois que eu pensei na opção de bater nele, eu me acalmei. Eu estava na casa dele, mas era mais forte que ele.

Fingi que nada tinha acontecido por um tempinho, mas eu queria ir embora. Queria sair dali o mais rápido possível. O portão estava trancado e ele não abria. Acho que ele pensou que eu fosse chupar o pinto dele, comer ele ou ser comido. Não sei o que ele pensou, mas deu errado. Então, acho que ele ficou com medo de eu sair contando pra todo mundo como eu estou fazendo agora, mas eu não fiz isto. Não contei para todo mundo, mas achei melhor contar para algumas pessoas chaves para me garantir. Havia a possibilidade de que ele espalhasse uma outra história sobre o que aconteceu, então, me preveni e contei para 2 pessoas. E agora para vocês.

Antes de abrir o portão, ele tentou me induzir a mudar de ideia argumentando que muitos homens tem relações com outro homem e isto fica só entre eles. Ou seja, eu podia ficar despreocupado que era um segredo. Ele também sugeriu que eu não contasse nada para ninguém. Claro que eu concordei. Fiquei impressionado em como ele dizia coisas sem falar exatamente as palavras do que ele queria dizer. Coisa que eu nunca fui bom em fazer. Sempre fui muito direto e claro. Pago caro por isto.

Eu queria sair dali e ele voltou a fazer perguntas da minha vida íntima e eu menti bastante nas respostas. E devolvia as perguntas pra ele. Ele pedia para eu falar baixo porque alguém na rua poderia ouvir. Mas era um pedido meio ordenado, meio exigido, meio que me intimidando.

Da conversa como um todo, ficou muito claro para mim que ele é um gay enrustido, que casou com uma mulher porque a sociedade mandou e que teve filhos porque é assim que funciona.

Mais tarde, em casa, pensei em como deve ser triste viver uma vida inteira baseada em uma mentira. Pois é isso que a vida dele é e ele não tem coragem de jogar tudo para o alto e assumir o que é.        
 
Depois que isto aconteceu, tomei a decisão de não falar mais com ele. Nunca mais. Eu me senti desrespeitado e não quero correr o risco disto acontecer novamente. Talvez, assim ele entenda que não gostei nadinha do que aconteceu.

Pensando em toda esta história que aconteceu comigo, veio à minha mente o filme Beleza Americana. Nele há um militar que odeia homossexuais e fica puto da vida quando desconfia que o vizinho está tendo um caso com o seu filho. Num dia de crise existencial, o militar vai até a casa do vizinho e o beija na boca. Diante da rejeição e da explicação de que ele estava enganado, que não o vizinho não era gay, ele volta para casa pega uma arma e mata o vizinho. O militar não podia correr o risco de que os outros soubessem que ele era exatamente aquilo que sempre odiou. A vida do militar era uma mentira. E ele perdeu o chão quando descobriu isto.

Pode parecer bobagem, mas eu fiquei com medo de acontecer comigo algo parecido ao filme. Alguma vingança por ter rejeitado a pessoa e saber de um segredo que outras pessoas não poderiam saber.

Então, se algum dia alguém me matar, lembrem desta história.

Eduardo Franciskolwisk

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