sexta-feira, 20 de novembro de 2009

“Ser farmacêutico é...”

medico_ou_farmaceutico

Ando meio desiludido com a minha profissão. A farmácia tem um mercado de trabalho muito amplo. Mas a verdade é que somos desvalorizados tanto pelos “patrões” como por nós mesmos.

A farmácia é um comércio. Donos de farmácia que não são farmacêuticos não querem nem saber da saúde da população. O importante é vender e ficar rico. E o farmacêutico (que é empregado) não se dá ao luxo de ir contra a opinião de quem paga seu salário.

Nessas horas, virão os “sabichões da teoria” e dirão: “Mas o farmacêutico tem que se impor! Se não é respeitado naquele lugar, deve sair e procurar uma outra farmácia para trabalhar. Simples assim!”. Seria simples se não fosse complicado.

O buraco é mais embaixo. Não há como se impor sem poder. E quem tem poder é quem tem dinheiro. Este sim é o manda-chuva. O manda-chuva é o “dono-proprietário”!

Quem abre uma farmácia sem ter curso superior na área almeja lucro. Para ele tanto faz se é remédio ou produtos de R$ 1,99. O importante é que o negócio dê lucro. Mesmo que o custo disso seja a saúde de uma população.

Existem casos (e você pode confirmar isso a qualquer momento) onde a farmácia não tem farmacêutico. Só o dono e um outro ajudante. Cadê o farmacêutico? Não está lá, sabe o porquê? Porque ele é completamente desnecessário. Sim, é desnecessário. Somos dispensáveis.

Somos um pneu estepe. Não precisam da gente para vender. Se precisassem, não haveria farmácia sem farmacêutico. Somos usados só na emergência. Chegou o fiscal, mostra o farmacêutico. E se o negócio feder, aí sim, a culpa é do farmacêutico. Não deveria ser assim. Mas é!

O farmacêutico não é respeitado. Tem uma rede em São Paulo na qual se trabalha 9 dias (8 horas diárias) e descansa 1. Mas, peraí! E o descanso semanal? E o máximo de 44 horas semanais? E a Constituição Federal? Foda-se a Constituição! Pelo menos pagam algum tipo de adicional? Claro que não! Eu vou trabalhar nessa rede? Sim, quando a água bater na bunda e não tiver outra opção. E ainda vou agradecer por ser explorado e desvalorizado.

A desvalorização também é responsabilidade dos farmacêuticos que aceitam trabalhar por metade do piso com a desculpa “Melhor isso do que nada”. E vai chegar um ponto onde todos (e eu também) teremos que aceitar a metade do piso salarial porque, realmente, ela é melhor do que nada.

E no final da história, o profissional que queria seguir o caminho correto vai entortando devagarzinho e muda de rumo. Os princípios mudam. Quem passou anos trabalhando pensando no lucro não vai de uma hora para outra pensar em saúde. Mesmo que seja farmacêutico e tivesse o sonho de mudar o mundo através do seu trabalho quando recém-formado.

Eduardo Franciskolwisk

8 comentários:

  1. que merda meu... eu conheço um monte de gente que estuda farmacia, faço aula de metodo de pesquisa com o pessoal [mas estudo publicidade..] eles são mto gente boa.. toh com peninha do futuro deles =/
    eee pq vc num faz um curso complementar que te ajude a sair da vida dentro das farmacias?
    eh um jeito de se dar bem neh xD

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  2. É...ISSO É REALMENTE MT TRISTE!E difícil tb...só iremos conseguir alguma coisa se a classe se unir!

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  3. Como vc mesmo falou, a área é ampla. Tente mudar seu campo pois, uma coisa é certa, se aceitarmos a situação na qual nos encontramos num emprego explorador, que vai de encontro à nossa moral e ao nosso juramento quanto farmacêuticos estaremos sendo coniventes com a realidade encontrada. Sim, a classe tem que se unir e cabe à nós mudar nosso futuro.

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  4. Iniciamos um movimento que pretende tornar lei, através de um
    abaixo-assinado digital, que os estabelecimentos farmacêuticos
    particulares (farmácias, drogarias e ervanarias) sejam de propriedade de
    um profissional farmacêutico legalmente habilitado para tal. Em
    primeiro momento a população não tem noção dos impactos que terão essa
    ação sobre sua saúde, devido a mercantilização e descaracterização dos
    estabelecimentos farmacêuticos ao longo do tempo, que tornou o
    medicamento um bem de consumo, porém a Assistência Farmacêutica poderá,
    através da participação popular, promover a redução dos custos com
    medicamentos, através da racionalização do uso dos medicamentos por
    parte da população.
    Se você apoiar a ideia assine e repasse aos seus contatos:
    http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6659

    Desde já agradeço sua atenção.
    Movimento Up Farmácia
    Contato: up_farmacia@hotmail.com
    https://twitter.com/up_farmacia

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  5. olha eu acho q vc é uma pessoa frustrada... lamento...
    se vc tivesse investido mais na sua carreira, (pos graduação, mestrado, doutorado) nao teria porque reclamar, afinal só a graduação em farmacia so garante msm o trabalho em drogarias...
    vá estudar mais!
    boa sorte

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  6. Olha Debora acho que vc não se informou direito...estamos falando de uma profissão ligada a area da saúde e te pergunto desde quando profissional da saúde no Brasil mesmo com doutorado ou mestrado é reconhecido? Tá ai o caos na saúde publica que nem precisava eu citar.

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  7. A questao nao 'e estudar apenas. O problema e como O Eduardo falou: pessoas que se importam apenas com elas mesmas, com seus lucros. Pq precisamos sempre mover o mundo quando os outros e que deveriam corrigir seu modo de agir, D'ebora?
    Ou vc concorda em ir numa farm'acia sem que os "verdadeiros repon'aveis se importem c a tua sa'ude? E n e assim aqui no Brasil? Quem pode pagar e atendido, mas ja viram as filas nos hospitais publicos? O descaso, a indiferenca? Isso me deixa indignada tb!

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  8. quem faz este curso é mal informado ou um idiota.
    porque só pode ser empregado para resto da vida ou se for dono será prisioneiro do seu curso,não poderá se ausentar da empresa ou seja nunca será um patrão será sim escravo do CFF,CRF e do gorverno que ti usa para propaganda politica.Quem fala que este curso é bom é funcionário do governo ou faculdades.Isto é profissão de quem ganha bolsa do governo e não será nada na vida se continuar insistido,ACORDA.

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