domingo, 28 de abril de 2013

Sede de vingança

Nunca gostei das aulas de educação física. Não que eu não goste de esportes, mas também não é algo que me faça falta se não praticado. O problema sempre esteve no ar de superioridade que os jogadores bons exibiam aos que não sabiam jogar. Esse era o meu caso. Eu era, e ainda sou, péssimo em jogos de grupos, como futebol, vôlei e basquete. Era por isso que eu era o último a ser escolhido quando estavam montando os times para o jogo. Como se não bastasse essa humilhação, eu era obrigado a escutar as reclamações do time para qual eu tinha sobrado.

Desses que zombavam de mim, havia um garoto muito bom de jogo, mas burro como um asno, que recebia praticamente toda a atenção da minha raiva por ser o que mais me pisava. E isso me fez ficar com sede de vingança!

Num certo dia, na aula de educação física, ao aluno novo foi dada a tarefa de elaborar um dos times para aquele dia. O primeiro aluno escolhido pelo novato foi o garoto bom de jogo. A fama de bom esportista já tinha chegado aos ouvidos dele. O segundo aluno escolhido fui eu, para espanto de todos, inclusive o meu. Acho que ele me escolheu por termos trocado algumas palavrinhas durante a aula. Mas isso não é o mais importante, o que importa agora é dizer que o garoto bom de jogo imediatamente protestou e apontando com o dedo indicador para mim, disse:

– Não, ele não. Ele não é bom.

Então, mais uma vez eu fui o último a ser escolhido e vieram as mesmas reclamações dos que ficaram com a sobra.

No dia seguinte, o professor de história fez com que alguns alunos fossem até a frente da sala para que escolhessem seus grupos para a apresentação do trabalho, o aluno novo era um desses alunos. Desta vez, ele me escolheu em primeiro lugar, o que não surpreendia ninguém, pois se tratava de um trabalho de história. A surpresa veio quando ele escolheu o garoto bom de jogo, só que desta vez quem protestou, já tentando matar a sede de vingança, fui eu. E sentindo o maravilhoso gosto da vingança eu falei a mesma frase que fui obrigado a escutar:

– Não, ele não. Ele não é bom.

O aluno novo aceitou a minha opinião e fez com que o garoto bom de jogo se sentasse. Naquele momento eu não conseguia ler na testa dele o que sempre lia: “Garoto bom de jogo”, naquele momento o prazer da minha vingança lia: “Garoto burro como um asno”.

Eduardo Franciskolwisk

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