domingo, 28 de abril de 2013

A Guerra entre os três reinos rivais

Essa guerra aconteceu de verdade no fim do ano de 2002. Nunca, em nenhum momento da história, um desses reinos foi visto em combate; tanto entre outros, muito menos entre si. Na guerra desta história, porém, os três se confrontaram e foi por isso que ficou conhecida como “A Guerra entre os Três Reinos Rivais”.

Sempre houve uma amizade muito grande entre esses reinos, nunca foram rivais. Mas se tornaram e mais a frente saberemos o por quê.

A harmonia vivia em cada coração do Reino das Batatas. Essa terra era governada pelo Rei Batata V e pela Rainha Batatinha Quando Nasce VIII. Os súditos desses dois governantes eram muito trabalhadores. Alguns ganharam a vida no serviço de batata assada, outros, de batata palha. Mas a grande maioria trabalhava como batata frita mesmo. Devido a tanto trabalho, eram um povo rico e até a batatinha mais pobre podia nadar em catchup com recursos de seus próprios pais.

Bem, ali do lado do Reino das Batatas, vivam as cenouras. Esse reino, o Reino das Cenouras, era governado somente por uma cenoura, ou melhor, um cenouro. Houve uma época em que ele também tinha uma rainha, A Rainha Cenoura XVII. Dizem a más línguas que ela morreu porque se achava irresistível demais e que por isso o Rei mandou matá-la. Um dos empregados que conviviam com a família real conta a seguinte história: “A rainha era uma pessoa que se achava muito atraente. Todos os dias, ela perguntava para o rei ‘Cecê, você me acha irresistível?’ e ele respondia ‘Sim, querida, a acho’. E ela perguntava ‘Será que quando eu saio por esse mundo afora, todo o mundo fica com vontade de me comer?’ e o rei respondia ‘Bem, isso eu não sei.’. Depois de um tempo, cansado de ouvir da esposa ‘Você acha que todos querem me comer?’ o rei resolveu tirar a dúvida da cabeça da esposa e até mesmo da sua. Um dia, o rei chamou a rainha para passear ao ar livre pelos gramados do reino e de repente, um coelho a comeu. A dúvida tinha morrido e a esposa também... Mas o rei jura de pé juntos que não mandou assassinar a mulher.” Outra coisa importante para se dizer desse reino é que não tinham dinheiro nem para as cenourinhas estudarem. As cenouras trabalhavam em saladas, algumas carnes e sopas, mas não ganhavam o suficiente para viverem felizes. Por causa da falta de dinheiro, o Rei ficou conhecido como Rei Cen Ouro.

Do outro lado do Reino das Batatas, existia o Reino das Cebolas. Esse povo era muito esquisito. O rei era mais esquisito ainda. Ali naquele lugar, não existia nenhuma cebola inteira, só existiam Meias Cebolas. O próprio rei que ditou essa ordem era um Meia Cebola. Todos no reino entenderam a posição do Rei Cebola III de mandar cortar cada Cebola ao meio. É que a população das cebolas estava muito pequena e essa foi a solução que o inteligentíssimo rei achou para dobrar o número de súditos. A riqueza dos Meia Cebolas era muito maior do que a das Batatas. Além, de temperarem a comida e fazerem bicos em pizzas, ganhavam uma fortuna trabalhando nos filmes de Hollywood sempre que um artista tinha de chorar em cena. Esse era o segredo de tanto dinheiro no bolso dos Meia Cebolas.

Tudo era paz entre esses três reinos. Até o dia em que os dois soberanos das Batatas, o rei das Cenouras e o rei dos Meia Cebolas se reuniram para construir um plano que destruísse os humanos.

A Rainha Batatinha Quando Nasce VIII foi a única contra tamanha falta de consideração para com os humanos:

– Não creio que destruir os humanos nos leve ao controle do mundo. Por causa dos humanos é que nosso Reino das Batatas vive bem, com emprego para todos. Seríamos mal-agradecidos para com eles e isso só geraria sua ira contra todos nós.

O Rei Cenouro, lembrando-se de que seu apelido em seu próprio reino era Rei Cen Ouro, foi contra a opinião dela:

– Mas meu reino não tem dinheiro para nada. Os humanos somente nos exploram e não nos paga o quanto realmente merecemos.

– Eu também não tenho do que reclamar – falou o Rei Meia Cebola. – Nosso valor é reconhecido, muito bem reconhecido.

– Então, creio que o único que quer guerra contra os humanos é o Rei Cenouro. Não é verdade? Ele é o único que quer ocupar o lugar dos humanos? – perguntou a rainha para os demais sentados à mesa.

E ela não recebeu a resposta que esperava.

– Não, eu também quero o lugar dos humanos – disse o Rei Batata V.

– Eu também – concordou o Rei Cebola III. – Se possuímos tudo isso com os humanos nos explorando, imagine o que possuiríamos sem eles em nosso caminho!

– E é só assim que meu povo conseguirá alguma coisa para viver bem. Tudo o que conseguirmos será distribuído em partes iguais para os três reinos – comentou o Rei Cenouro.

Mas logo ouviu protestos da parte mais rica, ou seja, do Meia Cebola.

– Claro que não. Eu sou o mais rico e investirei mais em armamentos. Portanto, tenho de receber uma maior parte do que sobrar dos humanos.

A Rainha Batatinha Quando Nasce VIII, de repente, gritou:

– Não concordo com um ataque aos humanos. – e se levantou da mesa. – Vocês são gananciosos, querem mais do que os outros já dão. Para se fazer um ataque, é necessário pensar em suas conseqüências e se vocês fizerem isso, vocês morrerão. Podem até conseguir eliminar os humanos da face da Terra, mas é exatamente isso que vai nos eliminar pouquíssimo tempo depois. Temos de reconhecer o mérito dos outros, mesmo que isso nos incomode porque de uma forma ou de outras, somos dependentes deles.

A Rainha se dirigiu até a porta de saída, mas antes de ir embora falou:

– Não pensem vocês que somos insubstituíveis. Tudo será uma questão de tempo até que os humanos percebam que podem viver sem batatas, cenouras e cebolas. O caos chegará onde antes tinha prosperidade e onde não tinha, como no Reino das Cenouras, haverá depois de pior miséria, a extinção.

E ela voltou para o seu Reino.

Os que ficaram, não deram a mínima para as idéias da Rainha e decidiram atacar os humanos. Resolveram que cada batata, cenoura e meia cebola que fosse comida pelos homens, levaria consigo, na mão, um grande pedaço de veneno. Assim, homens, mulheres e crianças morreram em massa durante algumas semanas, até que os estudiosos descobriram o motivo. E o anunciaram em televisão, revistas e jornais: “Nunca mais comam batata, cenoura e cebola” e ainda complementavam: “Os mesmos serão substituídos por produtos sintéticos”.

Com o passar do tempo, nenhum humano comia nenhum daqueles três produtos. E isso gerou o que a Rainha tinha previsto: fome onde antes tinha fartura e extinção onde antes tinha miséria.

Vendo seu povo morrer, o Rei Cenouro, invadiu o Reino das Batata para roubar a riqueza do vizinho. Mas se deu mal, porque este já tinha formado um exército para atacá-los. As batatas tinham a intenção de invadir o Reino das Cenouras para escravizá-lo e comê-los, mantendo assim a sua riqueza para depois guerrear contra o Rei Meia Cebola.

No meio do confronto que envolvia a todos dos Reinos das Batatas e das Cenouras, com exceção da Rainha que era a única com o privilégio de ter ficado em seu palácio, o Rei Cebola III aparece com o seu arsenal incrível à disposição de suas meia cebolas.

Pedaços de batatas voavam para um lado, pontas de cenouras iam para outro e meia cebolas já eram agora um treze avos de cebola. Aquilo parecia um liquidificador. As cenouras já estavam extintas, nenhuma sobrou para contar história ou para aparecer em fotos com o coelhinho da páscoa. A guerra continuou entre as batatas e os meia cebolas, mas não durou muito tempo. As batatas foram definitivamente derrotadas, era o fim das batatas fritas. Os vitoriosos seriam os meia cebolas. Mas não foram. Depois de acabada a luta, um deles utilizou o seu meio cérebro de meia cebola para apertar um botão cuja finalidade não conhecia. Bum! E tudo foi pelos ares, morrendo todos os meia cebolas. Não sobrou ninguém, nenhuma batata, nenhuma cenoura e nenhuma meia cebola.

Bem, pensando bem sobrou sim! Sobrou a Rainha Batatinha Quando Nasce VIII. Esta já conhecia o final da história muito antes de acontecer e certo momento disse para si mesma

– Reconhecer o mérito dos outros e a ajuda que eles nos dão não é motivo para se sentir humilhado e inferior. É motivo de honra e agradecimento. É motivo para se criar em cima do que já se tem e não destruir.

Segundos depois, uma menininha passou pelo Reino das Batatas com sua mãe e disse:

– Veja, mamãe! É uma daquelas coisas que mata a gente se a gente comer!

A mãe observou bem a batata e disse:

– Você tem razão, filhinha....

E interrompendo a mãe, a menina avisou:

– Eu vou matá-la, antes que ela me mate!

Eduardo Franciskolwisk

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