domingo, 21 de abril de 2013

Problemas em um carro

Esta história poderá algumas vezes parecer impossível ou inventada, mas aconteceu. Eu juro.

Certa noite, Ricardo estava em casa assistindo TV como era de costume. O telefone tocou e ele o atendeu:

– Alô!

– É da casa do Ricardo?

– Sim, é ele quem está falando.

– Oi, Ricardo. Tudo bem com você? Aqui é a mãe do Lucas.

– Oi, como a senhora está?

– Estou muito bem.

– Ótimo! Em que posso ajudar a senhora?

– Sabe o que é? É que eu preciso levar uma camisa para a lavanderia ainda hoje. Meu filho, porém, ainda não chegou da faculdade. Será que você poderia levá-la até lá para mim?

– Claro que posso! Onde é essa lavanderia?

– É muito longe... Você terá de ir de carro.

– Então, a senhora vai ter de me desculpar, não posso ir porque eu não sei dirigir!

– Você sabe porque eu já vi.

– Mas eu dirijo muito pouco!

– Não tem problema. Eu te empresto o meu carro, desce aqui para casa, afinal de contas somos vizinhos.

E a mulher desligou o telefone.

Ricardo trocou de roupa e tremendo de medo foi até a casa com a intenção de explicar tudo direitinho, inclusive a parte que ele não era bom no volante.

Ao chegar a mulher já o esperava na calçada com o carro já estacionado na frente da casa. Ele não disse nada, a mulher disse tudo:

– Ricardo, aqui estão as chaves do carro. Leve esta camisa para a lavanderia mais longe da cidade e depois me traga o carro aqui de volta, estacionado onde está.

E dizendo isso, entrou em casa fechando o portão no nariz de Ricardo.

– E agora? O que eu faço? – pensou ele. – Bem, vejo que não tem outro jeito senão tentar!

E ligou o carro. Fez tudo o que tinha aprendido a fazer para que um carro se mexesse. Tudo estava dando certo e depois do quinto quarteirão ele já se achava o motorista do século.

Foi até a lavanderia, entregou a camisa e voltou como veio, se achando o tal do volante! Mas ele não esperava que justamente na hora de estacionar o carro iria acontecer o que aconteceu. A mãe do amigo já o esperava no portão e vendo-o chegar pôde ver de camarote quando o carro subiu na calçada e raspou a traseira no muro de sua casa.

– Ai, meu Deus! O meu carro! O que você fez com o meu carro?

Ricardo ficou desesperado e sem pensar pisou no acelerador. Ele ia procurar um lugar fácil para poder estacionar e só percebeu que estava na calçada quando passou apertadinho entre uma árvore enorme e o muro de uma outra casa. E por isso se deslocou para a rua.

Virou na primeira esquina que viu, porém não conseguiu ver muitas vagas para estacionar. Somente em uma ele conseguiria. E assim o fez.

Ainda com o desespero no sangue, desceu rapidamente do carro e foi correndo em direção à sua casa para que, assim, pudesse pensar no que teria de fazer. E pensou, e pensou e lembrou:

– As chaves do carro! Eu as deixei dentro do carro... No meu desespero as esqueci.

Saiu de casa e foi até o lugar onde havia estacionado o carro para buscar as chaves. Chegando lá teve uma grande surpresa.

– Cadê o carro? – gritou.

O desespero se multiplicou por dez! Sua sorte ou o seu azar é que naquele instante passavam três policiais em seus veículos, dois estavam de moto e um outro estava de bicicleta. Ricardo ajoelhou-se e pediu:

– Policiais me ajudem, pelo amor de Deus!

E só o policial da bicicleta parou.

– Qual é o seu problema?

– Roubaram o carro que eu tinha estacionado aqui. O carro não é meu, é da mãe de um amigo meu, o que eu vou fazer se eu disser para ela que além de riscar o carro, por minha causa, ele foi roubado?

– Não se aflija! Eu sou o policial mais bem equipado do pedaço. Há quantos dias este carro está desaparecido?

– Dias? Ele sumiu faz poucos minutos! Por isso eu gostaria que você pedisse para que todos os policiais o procurassem agora. Assim fica mais fácil de achar o ladrão com o carro inteiro.

– Desculpe, senhor desespero, mas só podemos considerar um carro como roubado depois de 48 horas de sumido.

– Mas policial...

Nesse momento chegaram a mãe de Lucas e sua irmã.

– Onde está o meu carro? – perguntou a mãe para Ricardo.

– Ele está sumido, minha senhora! – respondeu o policial.

– Roubaram meu carro?

– Não, minha senhora, no momento ele só está desaparecido. Só é considerado roubo depois de 48 horas de sumiço.

E agora, já jogando um olhar bem quente para as duas mulheres, tirou duas cestas de café da manhã do compartimento de bagagem que existia em sua bicicleta e as entregou, uma para cada uma.

– É para vocês... O meu telefone está aí no cartão...

– Ei, faça o seu trabalho e encontre a pessoa que roubou o carro. – reclamou Ricardo.

Durante a confusão, um carro passou e entrou na garagem, exatamente onde Ricardo tinha estacionado o carro da mãe de Lucas. Ricardo resolveu ir até lá e perguntar se a pessoa sabia de alguma coisa que pudesse ajudar a achar o carro.

– Boa noite! Eu estacionei um carro aqui há pouco tempo e esqueci as chaves dentro dele, quando eu voltei para pegá-las o carro inteiro tinha sumido. Você viu ou sabe de alguma coisa que pode ajudar a polícia nas investigações?

– Sim, eu sei – disse a mulher. – Eu precisei sair com urgência e seu carro estava justamente em frente à minha garagem. Como eu vi que o carro estava aberto e as chaves dentro dele, o coloquei dentro de casa... Aqui está ele!

E lá estava o carro que tinha dado tantos problemas para Ricardo naquela noite.

– E como fica o enorme estrago do meu carro? – perguntou a dona do carro.

– Vai ficar como está!

E Ricardo apontou para o pequeno risco que tinha na pintura da parte traseira.

Eduardo Franciskolwisk

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