domingo, 28 de abril de 2013

Naquela casa

Era mais uma noite monótona, da qual eu não tinha nada para fazer. Resolvi então me distrair nos chats de bate-papo na internet. Quando eu entrei na sala de bate-papo da internet, fui procurar alguém interessante, e a escolhida foi a “Possuída1930” (esse nick me chamou a atenção), com a qual comecei a conversar. Ela era extremamente engraçada, pois não sabia mentir, e mentia mais que o próprio Pinóquio. Ela falava coisas impossíveis . E eu, é claro, não acreditei em nada do que ela disse. Ela falou que me conhecia, sabia obviamente meu nome e sabia também até onde eu morava.

Resolvi então entrar no jogo dela...

– Eu sei que você sabe!! – escrevi e mandei a mensagem.

– Não seja cínico, você sabe o que eu faço com pessoas como você? – ela me respondeu

– Não, não sei, o que você faz com pessoas como eu?

Enviei a mensagem e fui atender a porta, que tocou no mesmo instante que eu escrevia a mensagem. Quem teria coragem de encher o saco em plena meia-noite e meia? Claro, a tonta da minha irmã que vive esquecendo as chaves.

Abri a porta e não havia ninguém. Mas isso não me preocupou, preferi pensar que fosse um engraçadinho feliz tocando a campainha e que depois corria para não ser pego. Fechei a porta e tentei trancá-la, isso mesmo, tentei, pois não consegui. A chave estava presa, não rodava e nem queria sair da fechadura. A chave parecia estar colada.

Com certeza eu achei isso extremamente estranho e fui correndo para o computador, para que eu pudesse desocupar a linha telefônica. Quando cheguei no quarto, o computador estava desligado e isso me fez ficar desesperado, mais do que eu já estava. De repente na tela do computador apareceu escrito a seguinte mensagem: “É isso o que eu faço com pessoas como você, com pessoas vivas!”

Desespero já era pouco em relação ao meu estado emocional. Imediatamente pensei em pegar o telefone e ligar pra alguém, mas as minhas pernas estavam imóveis, somente consegui me virar quando senti algo atrás de mim. Era o telefone que estava só flutuando um pouquinho na minha frente; notei que tinha alguém no telefone, porque eu escutava uma voz saindo dele. Eu não sei como, mas peguei o telefone e comecei a contar tudo o que estava acontecendo comigo na casa. E uma voz grossa e horrível falou:

– Você não tem saída – e o telefone simplesmente derreteu na minha mão.

Aquela voz me lembrou umas das poucas coisas das quais eu tinha medo. Segurei o meu crucifixo que sempre carregava no pescoço. Tive a certeza de quem era aquela voz quando minha mão foi queimada pelo crucifixo. E então eu fui obrigado a soltá-lo. Ao cair no chão ele começou a pegar fogo.

Quando vi aquilo comecei a correr pela casa, mas não encontrei nenhum modo de fugir de lá. Por esse motivo me atirei no chão e comecei a rezar e a chorar ao mesmo tempo. Rezei tudo o que eu não havia rezado nos últimos anos. Mas, enfim, tudo se acalmou. Olhei ao meu redor e só consegui ver a televisão. E do nada ela ligou. Não vi direito, mas a imagem parecia a de um túmulo de cemitério. A única coisa que eu vi com nitidez foi o número 1930. Tudo começava de novo, e pra festa ficar mais animada as luzes se apagaram e a TV foi aumentando até chegar ao tamanho da tela de um cinema. Dessa tela eu vi sair uma luz meio avermelhada no formato de um homem, que vinha na minha direção.

Vi tudo isso sumir quando a cadeira do alpendre de casa, atravessou a porta de vidro estraçalhando-a completamente. E eu vi a figura da minha irmã entrando pela sala como uma heroína (nunca pensei que eu fosse dizer isso um dia). Mas ela estava desesperada pois não sabia o que estava acontecendo. Eu não vi de onde veio o vaso que bateu em sua cabeça e que a fez desmaiar. Só sei que eu me levantei, peguei-a nos braços e sai daquela casa, daquela maldita casa.

Eu nunca esquecerei o que escutei no momento em que eu saia da casa com a minha irmã.

– Pode fugir, mas não pode se esconder – disse a voz do telefone.

Eduardo Franciskolwisk

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