domingo, 28 de abril de 2013

Chapeuzinho Vermelho Necessitado

Era uma vez um menininho muito lindo, que, aliás, parecia muito comigo, mas que não era eu! Um dia, enquanto brincava de não fazer nada, ouviu sua mãe lhe dizendo:

– Meu lindo filho, você poderia ir até a casa da sua avozinha para roubar 2 batatas, 1 cenoura e meia cebola?

E o menino respondeu:

– Claro mamãe, assim já vou treinando para quando ser político aqui no Brasil!

– Meu lindo filho, porém, você tem que tomar alguns cuidados especiais para que chegue a salvo na casa de sua avó! Vá pela avenida vinte e sete e depois vire a rua 16. Não converse com nenhum lobo mau e muito menos com o cobrador daquela conta enorme que eu ainda não paguei!

– Tudo bem mamãe, se é assim que você quer, assim eu vou ver se faço. Mas, como isso daqui é uma paródia da história do chapeuzinho vermelho, você tem que dar uma cestinha onde serão colocados os produtos do roubo!

– Você tem razão, meu lindo filho!

E após concordar com o filho, trouxe uma linda cestinha, era a mais linda cestinha que existia naquela casa.

– Mas mamãe... isso daqui é uma sacola de supermercado! O que os animaizinhos da cidade vão dizer ao me verem fazendo propaganda de graça?

– Cala a boca, sua anta! – a mamãe cochichou no ouvido do menininho lindo. – Não vê que é só para ajudar a camuflar o desvio da mercadoria?

Como o menininho lindo, além de lindo era inteligente, ele entendeu tudo depois de 2 horas de explicação. E partiu rumo a casa da vovó!

Por um momento ele pensou em desobedecer à sua mãe, pois queria andar o menos possível, mas logo percebeu que o caminho por ela indicado era o menor. Então, pôs-se a cantar aquela musiquinha “Pela estrada a fora, eu vou bem sozinha...”, todavia, claro, ele tinha que mudar a letra! E cantou:

– “Pela vinte e sete eu vou bem sozinho,

Roubar uns negócios lá da vovozinha,

Ela mora perto, o caminho é de asfalto

E se eu ver o lobo ele eu também assalto.”

E a casa da vovó era tão perto que só de cantar esses quatro versinhos ele já tinha chegado! Abriu a porta tão rápido que nem viu o gato desmaiar quando levou uma portada na cabeça. Bem feito, quem mandou ficar ensebando atrás da porta! Rá, rá rá!

A avó estava sentada à mesa e ao vê-la ele disse:

– Vovó, eu posso roubar... – ele não pôde terminar a frase devido ao susto que levou e como deu vontade de perguntar outra coisa ele perguntou – Vovó, porque essa sobrancelha tão grande?

A velhinha olhou para o netinho lindo e falou inconformada:

– Ora, seu avoado, isso daqui é daquele dia que eu caí e dei de cara com o chão, você não se lembra? Aí, teve que dar pontos e ficou esse troço enorme!

– Ah... eu já nem me lembrava! – o garoto pensou um pouco e logo fez outra pergunta - Vovó, porque os seus dentes são tão bonitos?

– É porque eu comprei aquelas dentaduras que estavam na promoção na loja de R$ 1,99 no ano passado.

E o menino não cansava de perguntar:

– Vovó, porque a sua casa fede tanto?

– É por causa dos bichos da sua irmã.

– Ah... achei que fosse por causa das visitas que você sempre recebe. Por falar nisso, vovó, porque você só recebe visitas incômodas nas horas impróprias?

– Bem, meu netinho, é porque... é porque... sei lá o por quê! Mas o que você veio fazer aqui?

– Eu vim roubar umas coisas da sua geladeira, posso?

– Pode sim... Vá a até a cozinha e pegue o que precisar.

E assim fez o lindo menininho. Só que ele estranhou, ele estranhou de verdade. E se perguntou:

– O que o elefante Dumbo está fazendo na sala da casa da avó do chapeuzinho vermelho (que não tinha chapéu nenhum e que tão pouco era vermelho)?

Depois ele pensou que nesse mundo globalizado já não devia mais ter essas coisas de que o personagem de uma história só podia trabalhar naquela história. O dinheiro hoje está difícil e é exatamente por isso que ele estava ali, para roubar produtos caríssimos.

Roubou tudo o que podia e o que não podia. E o elefante Dumbo ajudou sem reclamar. Como eu, quero dizer, o menininho era inteligente ele não roubou tudo, ele deixou metade de tudo o que deveria roubar. Afinal de contas, ladrão de verdade é aquele que rouba, mas deixa a pessoa em condições de sobrevivência para roubá-la novamente, num outro dia!

Parando de contar detalhes chatos, o menininho perguntou de novo para a avó:

– Vovó, porque o elefante Dumbo é tão grande?

– Elefante Dumbo? Ah... já sei... aquilo lá não é o Dumbo, aquilo é uma cobra que engoliu uma bola gigante dos parques de diversões.

O menininho se conformou com a resposta, mas antes quis saber:

– Você não quer eu mate ela?

– Não, já liguei para o caçador vir até aqui fazer o serviço! Daqui uma semana ele vem!

Uma semana era muito tempo comparado aos meios de comunicações atuais: telefone, internet, televisão, jornais. Dito e feito, o assalto havia sido descoberto! Coitadinho dele, vai ficar com frio!

Frio? Rá, rá, rá. Ele iria é ficar muito quente!

– Mamãe, aqui está o assalto, tudo ocorreu perfeitamente.

A mãe dele não falou nada naquele momento, somente mais tarde falaria para o garotinho que haveria mais um Festival da Palhaçada no domingo. Esse festival acontecia algumas vezes por ano por motivos que nem vale a pena ressaltar. E sempre era na casa da vovó.

O dia da festa tinha chegado, muitos personagens de histórias diferentes estavam lá. Depois da mamãe do garotinho, do lindo garotinho e da vovó do lindo garotinho, a criatura que chegou na casa da vovó foi A Bela Envelhecida. Logo mais tarde chegaram o Dunga e aquela cobra que engoliu uma bola de parque de diversões. E só a presença essas pessoas foi suficiente para que o barraco se armasse.

Como o contador da história, ficarei devendo as baixarias ocorridas e só posso dizer que o menininho era inocente. Roubou, mas era inocente, pois tinha perguntado se poderia ou não roubar sua vovó. E ela tinha permitido.

Posso contar também que no Festival da Palhaçada, depois de todos os palhaços terem se apresentado chegou uma fada. Chegou, mas chegou atrasada. Adivinhem só quem era essa fada! Era aquela mesma fada que por se sentir rejeitada, amaldiçoou a Bela Adormecida, que, aliás, dorme até hoje. Particularmente eu acho que ela morreu. O fato é que essa fada se sentiu de novo rejeitada por não a terem esperado para as apresentações circenses e começou a amaldiçoar a todos que ali estavam.

No meio de tanta falação, pode-se perceber que A Bela Envelhecida estava bêbada como em todos Festivais da Palhaçada. O Dunga, por uma benção de alguém, não pronunciou uma palavra e ficou quieto no seu canto como se nada estivesse acontecendo. Quem me dera se todos os sete anões fossem iguais ao Dunga... A fada injustiçada estava mais parecendo da Bahia, porque não parou de rodar a baiana! E a cobra, lembram dela? A cobra não parou de cobrar! Com certeza ela nunca cobrou tanto na sua vida. Ela junto da Bêbada Envelhecida cobraram até o que não estava pendente. Rá, rá, rá. Uma delas chegou a morder a língua de tanta cobragem que disse. Porém, logo depois continuou, pois o tamanho da língua delas é quilométrico! Ou seja, aquele pedacinho não faz falta algum! Ou será que ele se regenera? É... deve ser isso!

Depois de tanta palhaçada, o Festival da Palhaçada terminou com outra palhaçada. A vovó, de saco cheio, pegou o seu taco de beisebol e expulsou todo mundo de sua linda casa. Para quem não sabe, taco de beisebol de velhos é um troço chamado bengala. Só que a vovó do garotinho lindo, como é uma avó atualizada e moderna apareceu com uma bengala de quatro canos e que é carinhosamente apelidado de andador. Foi por isso que todo mundo se assustou e foi embora.

A história não termina assim, ela termina com o lindo garotinho sentado na frente de sua casa olhando o pôr-do-sol. Em todos que vissem a cena poderiam afirmar:

– Certamente, esta história não termina aí. Haverá o segundo capítulo! Haverá a parte dois!

E sentado em frente de casa, o garotinho legal esperava passar o caçador que mataria a cobra que engoliu uma bola enorme de parque de diversões. Talvez, ele esperava um advogado!

Eduardo Franciskolwisk

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