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domingo, 28 de abril de 2013

Revelações de uma mente bloqueada

Eu estou bloqueado! Nossa, eu simplesmente não consigo mais escrever. Por vários dias, sentei-me na frente do computador e falei pra mim mesmo “Hoje, eu vou escrever aquele texto que está na minha cabeça há séculos”. Mas, em todos esses dias, desliguei o computador sem ter escrito nada que fizesse sentido para as outras pessoas. O máximo que eu conseguia eram frases curtas as quais continham idéias para outros novos textos. Só que o texto que eu tinha a intenção de escrever, não saiu.

Acho que estou tendo dificuldade de costurar um parágrafo no outro. Sei lá! Esse é um daqueles problemas que não importa se você conhece ou não o que o causa, porque isso não vai te ajudar a resolvê-lo. Esse é um daqueles problemas que se resolvem por si só, quando a gente menos espera “Pum”, eles já sumiram. Então, daqui um tempo, tudo voltará ao normal: eu vou sentar a bunda na cadeira com uma idéia na cabeça e vou levantar com um texto no papel.

Porém, enquanto isso não acontece, vou contar um segredo. Escrever não é muito legal. No meu caso: demora muito, tenho de ficar olhando palavras no dicionário, preciso tirar dúvidas em livros e perguntar algumas coisas para o povo daqui de casa, enfim, escrever dá trabalho. E o pior é que a maioria das pessoas não lê. Ler é chato. Escrever é chato.

É chato, mas eu gosto!

Eu não sou uma daquelas pessoas que não vive sem escrever. Aliás, às vezes, eu passo meses sem colocar o que penso no papel. Isso acontece porque não acredito na qualidade dos textos de pessoas que escrevem todos os dias e todas as horas. Para mim, escrever é muito mais do que isso. Não importa se o texto tem a intenção de agradar, irritar, acalmar ou enriquecer seu cérebro, mas é necessário que mexa com o leitor.

Houve uma época em que eu queria ser um grande escritor, mas me sentia pequeno demais diante dos outros. Esse negócio de saber de pessoas que escrevem até os olhos envesgarem na frente do computador me incomodava. Hoje, não incomoda mais porque eu achava que eles tinham idéias fabulosas aos montes e por isso não paravam de escrever. A internet tornou possível que eu conhecesse os textos de algumas dessas pessoas e pude ter a certeza de que eles estão errados. Certo estou eu, que só escrevo quando as idéias ficam martelando a minha cabeça dizendo “Vai lá e escreve isso. Vai lá e escreve aquilo.”. Sabe quando tem uma formiga dentro da sua calça e você só sossega quando consegue tirá-la de lá? Esse é o momento em que escrevo.

E por isso, por escrever só de vez em quando e só quando estou com muita vontade, inventei essa frase: “Escrever é quase como ir ao banheiro, não faço toda hora, mas se der vontade e eu não fizer, tenho a sensação de que vou explodir.”

Eu já disse que escrever é chato e ainda digo mais: não dá dinheiro! Muitos escritores famosos já teriam morrido de fome se não tivessem outra profissão. Mesmo assim é uma coisa fabulosa.

Ao escrever textos verídicos, falo o que quero e sem ter um chato para ir contra a minha opinião ou me fazer calar. É possível calar a minha voz, mas nunca os meus textos. Eu não tenho medo de dizer a verdade. De escrevê-la, muitíssimo menos!

Já em textos fictícios, é possível brincar de Deus. Sou eu quem mando e desmando nas personagens: dou a vida e posso tirá-la a qualquer momento, decido suas personalidades e seus destinos. Enfim, escrever é fantástico. Só é necessário lápis e papel e pode-se ter o mundo inteiro nas suas mãos.

Algumas pessoas sabem que ao se escrever um texto não se deve repetir muito uma única palavra. Eu posso não saber disso, mas eu sei que escrever é muito mais do que escrever um monte de escrever num texto sobre escrever.

Alguém aí tem um desbloqueador pra me emprestar?

Eduardo Franciskolwisk

Naquela casa

Era mais uma noite monótona, da qual eu não tinha nada para fazer. Resolvi então me distrair nos chats de bate-papo na internet. Quando eu entrei na sala de bate-papo da internet, fui procurar alguém interessante, e a escolhida foi a “Possuída1930” (esse nick me chamou a atenção), com a qual comecei a conversar. Ela era extremamente engraçada, pois não sabia mentir, e mentia mais que o próprio Pinóquio. Ela falava coisas impossíveis . E eu, é claro, não acreditei em nada do que ela disse. Ela falou que me conhecia, sabia obviamente meu nome e sabia também até onde eu morava.

Resolvi então entrar no jogo dela...

– Eu sei que você sabe!! – escrevi e mandei a mensagem.

– Não seja cínico, você sabe o que eu faço com pessoas como você? – ela me respondeu

– Não, não sei, o que você faz com pessoas como eu?

Enviei a mensagem e fui atender a porta, que tocou no mesmo instante que eu escrevia a mensagem. Quem teria coragem de encher o saco em plena meia-noite e meia? Claro, a tonta da minha irmã que vive esquecendo as chaves.

Abri a porta e não havia ninguém. Mas isso não me preocupou, preferi pensar que fosse um engraçadinho feliz tocando a campainha e que depois corria para não ser pego. Fechei a porta e tentei trancá-la, isso mesmo, tentei, pois não consegui. A chave estava presa, não rodava e nem queria sair da fechadura. A chave parecia estar colada.

Com certeza eu achei isso extremamente estranho e fui correndo para o computador, para que eu pudesse desocupar a linha telefônica. Quando cheguei no quarto, o computador estava desligado e isso me fez ficar desesperado, mais do que eu já estava. De repente na tela do computador apareceu escrito a seguinte mensagem: “É isso o que eu faço com pessoas como você, com pessoas vivas!”

Desespero já era pouco em relação ao meu estado emocional. Imediatamente pensei em pegar o telefone e ligar pra alguém, mas as minhas pernas estavam imóveis, somente consegui me virar quando senti algo atrás de mim. Era o telefone que estava só flutuando um pouquinho na minha frente; notei que tinha alguém no telefone, porque eu escutava uma voz saindo dele. Eu não sei como, mas peguei o telefone e comecei a contar tudo o que estava acontecendo comigo na casa. E uma voz grossa e horrível falou:

– Você não tem saída – e o telefone simplesmente derreteu na minha mão.

Aquela voz me lembrou umas das poucas coisas das quais eu tinha medo. Segurei o meu crucifixo que sempre carregava no pescoço. Tive a certeza de quem era aquela voz quando minha mão foi queimada pelo crucifixo. E então eu fui obrigado a soltá-lo. Ao cair no chão ele começou a pegar fogo.

Quando vi aquilo comecei a correr pela casa, mas não encontrei nenhum modo de fugir de lá. Por esse motivo me atirei no chão e comecei a rezar e a chorar ao mesmo tempo. Rezei tudo o que eu não havia rezado nos últimos anos. Mas, enfim, tudo se acalmou. Olhei ao meu redor e só consegui ver a televisão. E do nada ela ligou. Não vi direito, mas a imagem parecia a de um túmulo de cemitério. A única coisa que eu vi com nitidez foi o número 1930. Tudo começava de novo, e pra festa ficar mais animada as luzes se apagaram e a TV foi aumentando até chegar ao tamanho da tela de um cinema. Dessa tela eu vi sair uma luz meio avermelhada no formato de um homem, que vinha na minha direção.

Vi tudo isso sumir quando a cadeira do alpendre de casa, atravessou a porta de vidro estraçalhando-a completamente. E eu vi a figura da minha irmã entrando pela sala como uma heroína (nunca pensei que eu fosse dizer isso um dia). Mas ela estava desesperada pois não sabia o que estava acontecendo. Eu não vi de onde veio o vaso que bateu em sua cabeça e que a fez desmaiar. Só sei que eu me levantei, peguei-a nos braços e sai daquela casa, daquela maldita casa.

Eu nunca esquecerei o que escutei no momento em que eu saia da casa com a minha irmã.

– Pode fugir, mas não pode se esconder – disse a voz do telefone.

Eduardo Franciskolwisk

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