Há alguns anos venho
sentindo uma dor. Uma dor diferente e que é ao mesmo tempo um incômodo.
É uma coisa estranha
e confusa. Me recusei a aceitar todo este tempo porque não fazia sentido nenhum
e nem tinha lógica. Mas é muito possível e extremamente comum. Com o passar dos
anos cheguei a esta conclusão:
As pessoas morrem
para a nossa vida e continuam existindo e vivendo a vida delas.
É aquele amigo de
infância que você nunca mais conviveu depois de adulto. Ele está vivo, mas já
não é a mesma pessoa. Aquela pessoa que você conhecia morreu.
É aquele familiar que
você tinha muito convívio e que agora não tem quase contato nenhum. Até chegar
o dia que vocês não se vêem nunca mais. Ou quando se vêem é um “Oi” e “Tchau”
artificial. Aquela relação genuína e de proximidade não existe mais. Morreu.
Então, aquela pessoa
morreu para você. Ela existe no mundo, mas não faz mais parte do seu mundo.
Preciso aceitar o
fato de que as pessoas morrem em vida. Tenho relutado bastante com isto, tenho
me recusado a aceitar, mas enfim acho que estou entendendo e aceitando os
fatos.
A dor e o incômodo
que tenho sentido é um luto. Um luto pela morte de alguém que não morreu.
É triste porque é uma
morte opcional. Alguém optou por não ter mais um relacionamento, por não
conviver mais. E é uma morte confusa porque morreu, mas pode aparecer de vez em
quando para te incomodar, como se fosse um fantasma.
A solução que achei é
meio radical: cortar contato de vez. Morreu, morreu. Senão fica um vivo meio
moribundo e eu fico arrastando correntes. Assim, a dor do luto nunca passa.
Eduardo
Franciskolwisk
