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sábado, 4 de abril de 2026

A morte dos que não morreram

 

Há alguns anos venho sentindo uma dor. Uma dor diferente e que é ao mesmo tempo um incômodo.
 
É uma coisa estranha e confusa. Me recusei a aceitar todo este tempo porque não fazia sentido nenhum e nem tinha lógica. Mas é muito possível e extremamente comum. Com o passar dos anos cheguei a esta conclusão:
 
As pessoas morrem para a nossa vida e continuam existindo e vivendo a vida delas.
 
É aquele amigo de infância que você nunca mais conviveu depois de adulto. Ele está vivo, mas já não é a mesma pessoa. Aquela pessoa que você conhecia morreu.
 
É aquele familiar que você tinha muito convívio e que agora não tem quase contato nenhum. Até chegar o dia que vocês não se vêem nunca mais. Ou quando se vêem é um “Oi” e “Tchau” artificial. Aquela relação genuína e de proximidade não existe mais. Morreu.
 
Então, aquela pessoa morreu para você. Ela existe no mundo, mas não faz mais parte do seu mundo.
 
Preciso aceitar o fato de que as pessoas morrem em vida. Tenho relutado bastante com isto, tenho me recusado a aceitar, mas enfim acho que estou entendendo e aceitando os fatos.
 
A dor e o incômodo que tenho sentido é um luto. Um luto pela morte de alguém que não morreu.
 
É triste porque é uma morte opcional. Alguém optou por não ter mais um relacionamento, por não conviver mais. E é uma morte confusa porque morreu, mas pode aparecer de vez em quando para te incomodar, como se fosse um fantasma.
 
A solução que achei é meio radical: cortar contato de vez. Morreu, morreu. Senão fica um vivo meio moribundo e eu fico arrastando correntes. Assim, a dor do luto nunca passa.
 
Eduardo Franciskolwisk

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