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sexta-feira, 12 de março de 2021

Depressão depois de velho é sorte



A depressão pode aparecer em algumas pessoas quando elas ainda são jovens, sejam crianças ou adolescentes. Há outras pessoas que nunca sofrerão deste mal, nascem e morrem sem saber o que é depressão e algumas delas ainda fazem questão de expressar “sabiamente” que esta doença “não é nada, é uma frescura!”. Por outro lado, há aqueles que vivem a infância, adolescência e adultez sem depressão, mas são capturados por ela quando chegam na velhice. E eu me peguei pensando em quão sortudos são estes idosos que conhecem a depressão após uma vida de felicidade.
 
Tenho uma tia que agora, com pouco mais de 60 anos, foi trocada por uma mulher mais jovem. No começo, era só uma traição descoberta, porém, com o andar dos acontecimentos a troca definitiva foi efetuada. E aí, ela não aguentou o tranco e entrou em uma depressão profunda. Tentou se matar algumas vezes e foi internada em uma clínica psiquiátrica. Talvez nunca mais volte a ser como antes. Após, 40 anos de casamento, além dela, estão envolvidos na bagunça dinheiro, bens, filhos e netos.
 
Imagino que seja bem difícil para uma pessoa que está chegando na velhice ter depressão grave, mas não posso deixar de me comparar e de desejar estar no lugar dela. Como estas pessoas são sortudas! Eu queria muito ter depressão só com 60 anos e não ter tido com 16, com grande possibilidade de ter iniciado antes. Eu queria que minha alma tivesse morrido quando eu estivesse velho, mais perto da morte, do que quando adolescente, mais perto da vida.
 
Eu me pego pensando no caso dela: sempre foi alto astral, sempre teve vida financeira boa, sempre teve muitos amigos, sempre ia em bastantes festas e, além disso, já tem filhos adultos e netos adolescente que moram quase todos com ela. Além disso, sempre soube que era traída. Sei disso porque me lembro da minha tia conversando com minha mãe e avó sobre este assunto quando eu tinha uns 13 ou 14 anos.
 
Então, eu fiquei meio sem entender porque desta vez, depois dos 60 anos, o cérebro dela resolveu espanar. Tudo está a favor dela: tem dinheiro, casa, carro, filhos, netos, ou seja, muito mais coisas para se preocupar nesta idade do que com homem. Eu acho que esta é uma boa idade para levar um pé na bunda: já tem tudo e ainda perde o parceiro que só dava trabalho. Na minha opinião, isto é uma benção e não uma maldição. Ela ganhou liberdade.
 
Na hora da comparação, cagado sou eu que tenho depressão, fobia social, ansiedade e pânico desde adolescente e não tive tratamento na época. Tudo era considerado como viadagem ou frescura minha. Hoje, com 37 anos, eu não tenho amigos, ficante, namorada, casamento, filhos ou casa pra chamar de minha. O que eu tenho é desânimo da vida. Falta vontade até para as festas de família, encontrar as minhas irmãs ou meus sobrinhos. Fiz uma faculdade que não era a dos meus sonhos porque não tinha dinheiro para me mandarem para outra cidade. Tenho que trabalhar aguentando assédios e falta de educação para poder não morrer de fome ou não morar debaixo da ponte quando eu for expulso desta casa.   
 
Aí, quando uma pessoa sadia, que viveu a vida ao máximo, fica em depressão depois de velho, é um escândalo! Todo mundo em volta faz muito barulho. E devia ser o contrário, o escândalo deveria ser feito quando jovens que não tiveram nenhuma experiência têm depressão e continuam sem energia e ânimo para adquirirem estas vivências. Para estes casos, como o meu, o máximo que as pessoas fazem é dar de ombros e dizerem “Ah, ele é esquisito mesmo...”.
 
Então, infelizmente, eu considero ter depressão depois de velho um golpe de sorte. Muita Sorte. É um rabudo com um rabo bem grande mesmo. Eu queria ter sido assim. Azar é a alma ter morrido jovem e o corpo continuar com vida.    
 
Eduardo Franciskolwisk

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

O buraco e saindo dele

Depois da postagem “Caindo no Buraco”, venho oficialmente informar que caí mesmo dentro dele. Sorte minha que desta vez não caí tão fundo. Mas não foi um buraco qualquer, foi um buraco de respeito.
 
Depois daquela postagem as coisas pioraram, como era de se esperar. Não sei se era a época do ano, Natal e Ano Novo – família e um novo ciclo chegando – ou se foi a pandemia que nos tirou a rotina e nos colocou para esperar ansiosamente pacientemente por um futuro melhor (que nada mais é do que a normalidade que já tínhamos antes).
 
Uma coisa que eu venho pensando bastante é: a ansiedade e a depressão não me paralisam. Ouço dizer de pessoas que não conseguem trabalhar ou fazer suas obrigações diárias e até higiene pessoal. Pensando nisto, tentei entender porque isto não acontece comigo. A resposta que me veio à mente é que como eu tive depressão desde sempre (acho que desde criança) eu me acostumei a conviver com ela. Eu não tinha opção: ou fazia as coisas essenciais ou não ia ser ninguém.
 
Por outro lado, analisando bem, a depressão e a ansiedade (culpo mais a ansiedade) me paralisaram em algumas outras partes essenciais da vida, por exemplo, o lado afetivo, de relacionamentos. Como eu julgava isto não tão importante, ele foi ficando de lado. Então, fiquei sem reação nesta parte que não é, num primeiro momento, questão de sobrevivência.
 
Neste meio tempo aconteceu uma coisa que me deixou um pouco chateado. Me colocaram no grupo de Whatsapp da família para combinar as comemorações de Natal – mesmo com a pandemia, diga-se de passagem. Neste grupo estavam tios, primos, incluindo esposos, papagaio e etc., ou seja, era aqueles grupos com todo mundo onde inevitavelmente vai dar confusão.
 
Eu já não estava no grupo porque algumas pessoas ficavam me alfinetando, dando indiretas. Aí me puseram de volta por causa do Natal. Eu até que me animei, achei que seria uma boa ideia diante da minha crise de ansiedade que estava passando. No entanto, teve algumas “discordâncias” a respeito do presente da brincadeira “Amigo da Onça”. Eu queria que não pudesse ser chocolate pois teve um ano que pôde ser qualquer coisa e todo mundo (a grande maioria, na verdade) só levou chocolate. Aí, trocar um chocolate por outro chocolate não teve graça nenhuma.
 
No início todos concordaram, mas depois, uma família resolveu que podia sim levar chocolate e que cada um dava o que quiser. E no meio da conversa, uma pessoa feminina disse algo assim: “Eu já participei de vários “Amigo da Onça”, mas tem gente que não entende como funciona. Também só quem tem amigo pode entender disso.”
 
Isto foi uma indireta para mim querendo dizer: “Você não tem amigos”. Isto em dezembro de 2020. Eu tenho uma postagem de junho de 2009 chamada “Eu não tenho amigos”. Será que ela acha que me contou alguma coisa que eu não sabia?
 
Pois bem, duas coisas me chatearam: a intenção e a indireta. A intenção era me deixar para baixo: conseguiu. E eu já estava em uma crise existencial. A indireta foi para mim, óbvio, me chateou sim porque eu estava trocando ideias, conversando, na boa. Foi covarde. Odeio indiretas. A indireta é a arma do covarde. Ele solta a frase com a intenção de ferir e quando atinge seu objetivo e não aguenta suas consequências, tem a possibilidade de argumentar que a indireta foi entendida de forma errada.
 
Então, eu saí do grupo e a minha intenção é nunca, nunca mais participar de Natal nenhum com esta família. Depois eu fiquei sabendo que este pessoal induziu uma tia a ter uma crise suicida. Pois é, este é o nível da maioria dos seres humanos.
 
Do dia 1º de janeiro de 2021 até o dia 15, eu passei praticamente chorando o dia todo. Ou seja, eu caí no buraco. Depois, fui melhorando com uma pequena recaída agora no início de fevereiro. Mas já estou bem melhor. Espero que não aconteça mais nada que me puxe de volta para o buraco. Uma coisa importante é que eu sei que não saí dele, ainda estou saindo. 
 
Eduardo Franciskolwisk

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