Conhecendo o Leitor

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sábado, 29 de dezembro de 2007

Está Tudo Errado!

Não acho certos alguns acontecimentos da vida, as injustiças para com os justos e as mãos de afago na cabeça daqueles que levam a vida como querem. Mas por que será que isso ocorre? Eu não sei! Só sei que agora resolvi ir para o lado negro da força.

Deve estar faltando algum parafuso na roda do mundo. Não creio que ela gire certo. Alguém aí, me responda “Quem faz tudo certinho na vida se dá bem?”. Pode deixar, eu respondo “Não!”. Mas quem faz tudo “nas coxas”, de qualquer jeito, aproveita a vida como se fosse político brasileiro.

Vamos analisar a vida de alguns membros da minha família (CASO VOCÊ SEJA DA MINHA FAMÍLIA E SE SINTA O DONO DE ALGUMA DAS HISTÓRIAS QUE EU VOU CONTAR , POR FAVOR, ENGULA AS SUA RECLAMAÇÕES. CASO CONTRÁRIO, VAI À MERDA; VAI TOMAR NO CU; VAI DAR A BUNDA; VAI SE FODER.)

Tenho uma prima distante (uns 15 Km, mais ou menos) que é uma topeira, uma pessoa que não está nem aí para as outras. Uma anta que, pelo que ouço falar, não saberia usar 1 real da fortuna que lhe foi deixada. Fortuna riquíssima, cara, estou falando de dinheiro pra dedel. E sabe que curso essa topeira fez? Jornalismo. O curso dos meus sonhos. Uma pessoa que não deve nem saber a diferença entre o dedão do pé e o da mão, é jornalista. E eu, que sempre assisti e li jornal pra me manter atualizado, que sempre estudei, por prazer (lógico), outras línguas, que sempre me esforcei ao máximo para as pessoas se interessassem porque aquilo que escrevo, me fudi. Na próxima vida, vou limpar a bunda com jornal e ser alienado a ponto de achar que o Brasil fica na “Zoropa”.

Já a minha tia distante (de uns 10 Km de parentesco) se deu bem. Fez o que quis da vida. Deu bastante pra vários homens diferentes, morou em vários lugares do Brazil (desculpa aí, mas foi influência do Lado Negro da Força), mexeu com drogas (segundo informações recentes. Só não sei dizer se é vendendo ou consumindo), ficou rica por causa da herança da filha topeira... E eu só levando pau no rabo. No final das contas, acho que a topeira sou eu.

Minha outra tia, tia mesmo (de uns 10 metros de parentesco) também fez o que quis da vida. Deu bastante, fumou bastante, bebeu bastante e deu bastante de novo. Eu adoro ela, acho ela (sim “acho ela”, e isso não foi o Lado Negro da Força) muito inteligente e uma cozinheira de primeira, mas cagou muito. E foi avisada das cagadas que estava fazendo. Não foi falta de aviso! Ela vendeu uma casa que era dela (herança deixada pela minha avó), onde não tinha preocupação com aluguel, para mudar para uma outra casa alugada bem maior (sendo que mora sozinha) num bairro chique e montar lá o seu negócio. O negócio não é ruim, mas não me entra na cabeça ela vender a casa para torrar o dinheiro no aluguel de 700 reais de uma outra casa, sendo que ela poderia estar trabalhando na casa própria sem o compromisso do aluguel! No final, se der tudo errado, quem vai ter de socorrê-la?

A outra que leva a vida como quer é minha irmã (de 0,5 cm de distância), que não aprende certas coisas do mundo. Já teve vários namorados, com certeza, deu pra todos, mas até hoje, nenhum quis casar com ela. Minha irmã não é uma pessoa fácil de lidar. Ela não tem noção de Conhecimentos Gerais, ela acha, por exemplo, que a Terra gira em torno dela e não do Sol, como é o correto. Não ajuda na limpeza da casa (sou o Doméstico Oficial), dá preferências para “amigos” à família, não diz aonde vai, fica bêbada e paga mico nos lugares. Enfim, ela é (adorei essa definição) uma “Rebelde Sem Causa”! Esses dias atrás, ela resolveu ir para o Rio de Janeiro e nem pensou em me convidar pra ir junto. Legal, né? Mais legal é saber que ela foi uma das primeiras pessoas que eu convidei quando queria ir para Serra da Canastra. Ela não ia avisar ninguém daqui de casa que ia viajar. Aí, os idiotas iam ficar preocupados com ela e a bonitinha lá no Rio se achando a Garota de Ipanema ou esfregando a bunda em algum pau num baile funk.

Inveja? Pode ser. Raiva? Com certeza. É que ainda acho injusto...

Tento fazer tudo certo. Eu trabalho, fico estressado e chego a ser escravo de mim mesmo em relação ao emprego. Ralo para juntar dinheiro para montar minha própria farmácia e nem saio muito de casa por isso, mas não chego a ser mão de vaca ao extremo. Ajudo todo mundo que posso, às vezes, me faço de bobo para evitar brigas, escuto reclamações e quase nunca retruco. Não tenho namorada, tenho que tomar remédio pra depressão (embora eu desconfie que tenha Transtorno Afetivo Bipolar) e não tenho amigos, nem verdadeiros nem falsos. Arrumo a casa, tento ser agradável, raramente viajo e estou gordo.

Está tudo errado! Tudo errado. Faço de tudo para merecer as coisas boas da vida e só me fodo. Mas tentarei mudar: vou começar a beber até cair, a cheirar cocaína e a tomar extasy até ver jacaré voando, não vou mais ajudar ninguém além de mim, vou me candidatar à prefeitura e contratar prostitutas com AIDS pra me satisfazer sem camisinha.

Está tudo errado! E a partir de hoje, se depender de mim, vai continuar mais errado ainda. Estou até empolgado... Não vejo a hora de começar a me dar bem na vida!

Eduardo Franciskolwisk

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A Máfia (de Pedintes)

Ultimamente, ando meio revoltado com essas pessoas que passam aqui em casa pra pedir comida. Ou a minha casa parece ser casa de otário ou parece ser um restaurante. O mais provável é que eu seja, ou melhor, tenha sido um otário no passado. Não sou mais.

Eu admito, acostumamos mal esse pessoal!

Todas as vezes que o interfone tocava e era alguém pedindo comida, nós daqui de casa dávamos alguma coisa. Sei lá, pacote de macarrão, arroz, feijão, açúcar e até sal já foi (afinal, pra quem está se afogando jacaré é tronco). Nunca ligamos de ajudar, ainda mais porque em um mês recebemos mais cestas básicas do que conseguimos utilizar. Sobra.

Então, todas as vezes que alguém pedia ajuda aqui, levava alguma coisa. É aí que entra “A Máfia”. Isso mesmo: A Máfia. Só pode ser isso. Um dizia pro outro que aqui era fácil conseguir as coisas. Depois, o outro dizia pra outro que dizia pra outro... Virou encheção de saco.

Não tinha dia, nem hora ou limites do que pediam.

Um dia, era quase meia-noite e o interfone tocou:

— Moço, eu sou de Colômbia (uma cidade aqui perto de Barretos) e eu tava trabalhando numa rádio até agora e tenho que pegar o ônibus agorinha mesmo. Mas o dinheiro que eu tenho não vai dar e eu preciso ir embora porque a minha mulher está no hospital em trabalho de parto. Meu filho vai nascer hoje. Você não pode me ajudar completando o dinheiro que falta pro ônibus?

Eu estava bêbado de sono, era inverno e eu estava quentinho dentro de casa. Sair lá fora pra quê? ... Ok. Tá legal, eu assumo. Caguei de medo de ir lá fora sozinho, praticamente de madrugada, com a rua deserta. O homem poderia ser um estuprador, assassino, ladrão, político, polícia ou um travesti tarado. Resolvi não correr o risco!

— Não tenho nada hoje. – respondi.

Um mês depois, mais ou menos, por ironia do destino ou por uma coincidência fantástica ou por safadeza mesmo, o interfone tocou era quase meia-noite. A história era idêntica: a cidade, o trabalho na rádio, o dinheiro incompleto do ônibus e (o mais incrível de todos) a mulher dando a luz ao filho dele.
Me senti um idiota. Com exceção de que a mulher dele conseguisse engravidar, formar uma criança e dar a luz em menos de um mês, acho que ele queria me fazer de idiota. Nem se esforçou pra inventar outra história.

Já aconteceu também de haver diferença de minutos entre os pedintes. “Isso deve ser combinado”, imaginei. “Deve existir uma Máfia!”
Tinha também um moço que sempre ajudávamos dando um monte de coisas: pacote de arroz, de feijão, etc... Até o dia que ele resolveu que o gás da casa dele tinha acabado e que era pra gente dar a comida pronta pra ele. É... a coisa ficou feia. E a gente decidiu parar antes de escutar:

— Agora dá na minha boquinha! E não esquece de assoprar porque tá quente...

Ou pior:

— Como assim não tem comida pra eu comer? – diria indignado. — Quer dizer que a partir de hoje vou ter que comer a sua bunda?

Pára tudo. A regra agora é dizer “Não” pra qualquer necessitado. Pára tudo! Antes que A Máfia de Pedintes comece a pedir a rosquinha que não queremos dar.

Eduardo Franciskolwisk

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