Conhecendo o Leitor

Quero saber mais sobre você!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

A Menina dos Fósforos - Hans Christian Andersen



Nesta época de Natal e Ano-Novo, sempre me lembro do conto “A Menina dos Fósforos”, mas neste ano eu o reli ouvindo uma música que conheci alguns meses atrás. E me emocionei. Espero que você também pegue uma toalha de banho e se emocione.
 
Eu adoro este conto.
 
Raramente eu posto textos de outras pessoas. O último que me lembro foi um outro conto deste mesmo autor que publico hoje, Hans Christian Andersen.
 
Leiam o conto abaixo ouvindo a música “Circle - Edie Brickell & New Bohemians”. Abram o link a seguir em outra aba e voltem para ler o conto aqui no blog. Fiquem repetindo a música até terminarem de ler o conto. Link do YouTube:
 
Este é o meu presente de Natal para vocês, meus leitores, os gatos-pingados que sobraram e que também podem ser chamados de heróis da resistência.
 

Mensagem de Natal
 
Desejo que a chama do Natal nunca se apague e nos ilumine e nos aqueça enquanto estivermos vivos aqui na terra.
 
Desejo que neste Natal tenhamos paz no coração e na mente. E que em 2025 consigamos ser felizes na simplicidade e com o pouco que tivermos.
 
Desejo que as pessoas que estão sozinhas se sintam acompanhadas por si mesmas. E que se sintam confortadas em saber que há muitas outras pessoas nesta mesma situação.
 
Desejo que sintam a magia. Sintam a magia de novo em você!
 
Feliz Natal e Feliz Ano-Novo!
 
Eduardo Franciskolwisk
 
------------------
 
A Menina dos Fósforos - Hans Christian Andersen
 
Fazia tanto frio! A neve não parava de cair no leste europeu, e a gélida noite aproximava-se. Aquela era a última noite de dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão uma pobre menina seguia pela rua afora, a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas estes não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, pesados e encharcados de neve que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua, correndo, para fugir de um bonde. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.
 
Por isso, a menina seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no bolso dianteiro do avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a todos que passavam, oferecendo: — Quer comprar fósforos bons e baratos? — Mas o dia lhe tinha sido adverso. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão sequer. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre criança! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro delicioso da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava, o que lhe enchia de água a boca.
 
Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de uma varanda. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda; e o padrasto, malvado, seria capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa meia-água, um barraco, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se tirasse um, um só palito, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos...! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a queimar ! Parecia a chama quente e viva de uma vela, quando a menina a tapou com a mão.
 
Mas, que luz era aquela? A menina imaginou que estava sentada em frente de uma lareira cheia de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom...!  Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e a lareira desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.
 
Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como vidro. E a menina viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de louças delicadas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e puré de batatas, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da menina. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.
 
Acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se viu ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as vitrines das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direção à terra, deixando atrás de si um comprido rastro de luz.
 
«Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe às vezes: «Quando vires uma estrela cadente, um meteorito, é uma alma que vai a caminho do céu.»
 
Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!
 
— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como a lareira, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda. Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.
 
Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma menina, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos. — Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo.
 
Hans Christian Andersen

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Ódio no Coração



Tem dias que eu acordo odiando tudo e todos. Hoje é um desses dias.
 
Seria melhor eu não ter visto ninguém.
 
Hoje, eu odeio todas as pessoas e sinto desprezo por elas. São falsas, folgadas, aproveitadoras, más e egoístas. Eu consigo ver em cada uma a má intenção através de um sorriso ou de um estranho “Bom dia” que me faz pensar que “alguém caiu da cama e bateu a cabeça”. Essa gente só joga se tiver alguma coisa a ganhar.
 
Hoje, eu odeio a minha vida e odeio quem sou. Odeio as escolhas que fiz e odeio um futuro que poderia ser e não foi. Odeio todas as pessoas que cruzaram o meu caminho e também o mal que me fizeram mesmo pensando em me fazer o bem. Odeio cada ação que me fez chegar aonde cheguei. Odeio pensar que em outra dimensão “meu eu” acordou hoje amando tudo e todo mundo.
 
Odeio ter que acordar cedo e ir trabalhar. Odeio não ver sentido nenhum nisto, de correr atrás do meu próprio rabo. Odeio não ver sentido na vida. Odeio gente que se esforça ao máximo para que percamos a vontade de sorrir.
 
Odeio tudo a ponto do meu clima ficar pesadíssimo. Se eu quiser, consigo fechar o tempo de qualquer lugar em que eu estiver, como a X-men Tempestade.
 
Eu odeio ter que ficar consertando a cagada e a folga dos outros. Odeio sentir meu coração disparado parecendo um ataque cardíaco. Odeio ter que responder perguntas aparentemente inocentes, mas que por trás querem capturar todo um contexto.
 
Odeio pessoas mornas. Nem quente, nem frio. Nem sim, nem não. Odeio gente cuja personalidade é não ter personalidade.
 
Odeio o interesse das pessoas por trás de suas ações. Chego a sentir nojo. Eu odeio a política e a forma como ela funciona: pedala, pedala, pedala e não sai do lugar. Isto é intencional. Odeio ter descoberto isto e ter perdido a esperança.
 
Eu me odeio por completo. Odeio usar óculos. Odeio ser careca. Odeio minha forma TOCada de pensar. Odeio não sentir mais a felicidade genuína. Odeio ser maluco. Odeio não ter coragem. Odeio ter medo do futuro. Odeio ser doente mental. Odeio a vida como ela é. Odeio ficar despersonalizado. Odeio não sentir emoção.
 
Odeio ter insônia e odeio não conseguir dormir direito. Odeio não conseguir mais sonhar.
 
Odeio viver na imaginação. Odeio odiar ter um cachorro. Odeio limpar a casa. Odeio fazer coisas de mulher e de homem em casa. Odeio a forma que fui criado. Eu odeio não precisar de ninguém e odeio ser responsável por tudo. Odeio a Igreja Católica e toda sua hipocrisia.
 
Odeio que nada que faço dá certo. Odeio meu toque de Midas invertido – tudo que toco vira merda: “toque de mierdas”. Odeio não conseguir mais assistir filmes. Odeio normalizarem filmes com 3 horas de duração. Odeio ar-condicionado no modo freezer.
 
Odeio viver. Odeio ter depressão. Odeio minhas memórias e ficar relembrando delas. Odeio me importar com quem não se importa comigo. Odeio ter dificuldades de jogar coisas fora. Odeio não ter coisas bonitas e positivas para dizer às pessoas.
 
Odeio festas e odeio ainda mais as pessoas que transformam nossos dias de festas em dias de brigas e de tristeza. Odeio as pessoas de uma forma geral.
 
Odeio perder a saúde correndo atrás de dinheiro. Odeio que doença mental seja considerada frescura e o câncer, não. Odeio ter nascido em família de gente burra. Odeio ter herdado o gene da burrice.
 
Odeio ouvir a opinião das pessoas e acreditar que aquilo é uma verdade absoluta. Odeio quem não sabe, mas finge que sabe e fala como se tivesse certeza daquilo.
 
Odeio não ser Deus e odeio não poder jogar raios em algumas pessoas, transformando-as em pó e fazendo do mundo um lugar mais legal. Odeio ter descoberto que Deus não existe e odeio não sentir a ilusão de que a minha vida vai melhorar se eu ficar repetindo preces.
 
Odeio as pessoas que conseguem ser felizes, mesmo após terem sido atropeladas por um trem. Odeio gente que possui a estranha mania de ter fé na vida.
 
Ontem, tive uma dor física muito forte. Foi um torcicolo nível 8/10 que quase me impedia de levantar do sofá. Pode ser que isto tenha me influenciado a acordar com ódio no coração e sangue nos “zóio”.
 
Odeio, principalmente, gente que odeia tudo. Odeio hoje. Só hoje. E talvez amanhã.
 
Eduardo Franciskolwisk

TOP 10 do Mês

Arquivo do Blog