Um dia, eu estava
voltando para casa de moto, feliz e saltitante. (cantarole na sua cabeça música
dos Smurfs: “La la la...”). Quando cheguei na rua do lado de casa, vi um coelho
atravessando a rua. Ele estava feliz e saltitante e acho que cantarolava “La la
la...” (a música dos Smurfs).
Uma cena surreal.
Nunca na minha vida eu vi um coelho atravessando uma rua movimentada.
Olhei para o lado e
tinha uma mulher passeando com o cachorro na coleira. Pensei que o coelho era
dela. Achei melhor parar a moto e tentar ajudar ela a pegar o coelho.
Agora ele estava
parado na sarjeta. Era muito fácil, era só ir lá, pegar o coelho e entregar
para ela.
Quando cheguei perto
do coelho, ele saiu correndo saltitante. O bicho era rápido. Mas eu fui atrás
dele. E a cada vez que eu chegava perto dele, ele corria de mim. Saltitante. E
eu corria atrás dele de novo.
Foi uma cena linda.
Eu de uniforme do trabalho (sapato, calça e camisa social) com um capacete na
cabeça correndo atrás de um coelho no meio dos carros. Ele ia pra cá e pra lá.
Eu ia atrás todo engomadinho e com uma cabeçona desproporcional.
Depois de tomar
vários olés do coelho, eu consegui pegar ele. Que coelho macio! Ele era bem
fofinho e com pelos sedosos. Aí, fui devolver para a moça que estava com o
cachorro.
Ela disse que o
coelho não era dela:
— Não é meu, mas acho
que fugiu desta casa aqui. Eu já bati, mas ninguém atende.
Como eu gostei muito
da maciez do coelho, falei que ia levar ele para casa e que se alguém
procurasse, ele estaria lá.
Eu fiquei muito feliz
por ter encontrado aquele coelho. Eu não me lembro de ter pegado um coelho na
mão antes. Era macio e sedoso. Ele devia fazer propaganda de shampoo.
Em casa, tranquei o
cachorro e fiquei aproveitando o coelho. Tirei muitas fotos e filmei ele. Até tentei
pegar ele pelas orelhas para dar uma coelhada em alguém, mas não é igual nos
gibis.
Analisando bem o
coelho, comecei a suspeitar que era uma coelha.
Peguei água para ele
e coloquei num prato raso porque eu tinha certeza que ele não conseguiria tomar
água na vasilha do cachorro. Também peguei uns 10 grãos de ração do doguinho
com a mão e dei para a coelha. Achei que ela não fosse comer, mas ela devorou tudo.
Quando fui buscar
mais ração, peguei a vasilha inteira do cachorro. Quando coloquei a vasilha no
chão, a coelha ouviu o barulho da ração e avançou em mim. Eu me assustei, mas
ela apenas queria comer mais comida.
A safada consegue
ficar de pé, achei que ela só ficava na posição de coelho, ou seja, bem perto
do chão (estilo coelho rebaixado).
Depois de me divertir
e aproveitar a coelha, fui procurar o dono.
Bati na casa da
frente, que tinham se mudado há pouco tempo, mas não era deles. Depois, fui para
a rua onde tinha achado a coelha. Bati na casa onde a mulher achava que ela
tinha fugido e veio uma mulher-menina.
Ela podia ser velha,
mas parecia ser nova.
Perguntei se ela
tinha perdido um coelho e ela disse que sim, que estava procurando, mas quando
cheguei ela estava sentada e mexendo no celular. Não parecia muito preocupada
com o coelho. Mesmo assim não desconfiei da palavra dela e fui buscar o
“entregador de ovos de páscoa”.
Mas demorei de
propósito para devolver o coelho. Eu queria que meu cachorro conhecesse o
coelho, mas tinha medo dele morder. No final, ele não mordeu.
Quando levei a coelha
de volta, descobri que o nome dela era Zara. Além da mulher-menina, tinham 2
crianças. Pude perceber que a mulher-menina era uma adolescente e os meninos
eram primos dela. Fiquei conversando com ela por um tempo. Ela não era daqui da
cidade e tinha outro coelho. Entendi que ela veio passar as férias aqui na casa
da tia e trouxe os coelhos.
O coelho era mesmo
dela por que se não fosse, as crianças ficariam muito interessadas no coelho,
mas elas cagaram pra ele. A própria menina não estava desesperada por causa do
coelho, motivo pelo qual eu acho que ela era adolescente.
Felicidade. Eu contei
tudo isto porque nesta 1 hora em que eu paguei mico correndo atrás da coelha de
capacete, cuidei da coelha com água e comida, mexi nela de tudo quanto é jeito,
tirei fotos e fiz vídeos, depois fui atrás do dono pela vizinhança e fiquei
conversando com a menina por um tempo, eu senti felicidade. Fazia muito tempo
que eu não sentia isto.
Nos últimos 10 dias,
eu estava bastante tenso devido a algumas situações da vida normal. Na verdade,
acho que estava meio depressivo por causa das festas de final de ano.
Aquele dia com o
coelho, foi de uma certa maneira um alívio. O coelho simboliza renascimento,
vida nova. Além disso, o pé de coelho traz boa sorte e aquela coelha tinha 2
pés. Sorte em dobro. Mas nada se compara aos instantes de felicidade que eu
senti. Fazia muito tempo que eu não sentia felicidade genuína.
Eduardo Franciskolwisk



Uma verdadeira epopéia coelhal!
ResponderExcluirParece que o universo lhe mandou um recado: comprei um coelho.
Não sei se seria legal ter um coelho. Eu gosto de bicho, mas ter que cuidar deles todos dia não me deixa muito feliz.
ExcluirEu curto muito essas historinhas que fazem a gente dar um sorrisinho leve no canto da boca sem nenhum motivo aparente. Tem alguma coisa aí meio cômica e banal que me atrai muito nesse gênero. Costumava ler crônicas do Luis Fernando Veríssimo em uma edição de jornal impresso que vinha toda terça-feira quando eu era criança. Hoje leio mais livros de não ficção e, às vezes, um romance. Passaria horas lendo esse tipo de posts em blogs por aí.
ResponderExcluirAlguma recomendação de livro ou autor?
Nenhuma recomendação de livro ou autor.
ExcluirNão tenho lido nada ultimamente, embora tenha um livro do Luiz Fernando Veríssimo do meu lado que chama "Comédias para se ler na Escola. São histórias curtinhas e nem isto eu leio.
Outro livro que vc pode gostar é Sapiens - uma breve história da humanidade. Estou lendo ele faz uns 7 anos e ainda não cheguei na metade (e nem pretendo chegar).
Aceito recomendações de filmes.