domingo, 28 de abril de 2013

Sem idade para crescer

Não importa a idade que tenham, as pessoas sempre têm algo para aprender e para ensinar.

Em janeiro de 2004, conheci Cabo Frio – RJ. E, sinceramente, não gostei muito. A água me fazia pensar duas vezes antes de entrar no mar. Cabo Frio não se chama Cabo FRIO à toa, mas sim porque a água é extremamente gelada.

Mesmo assim, eu não saía da praia. Fizesse sol ou fizesse chuva, eu estava lá! Por isso, posso dar esse conselho. Quando você for a Cabo Frio (na Praia do Forte) reze para que chova bastante! Não sei o porquê, mas quando chove a água de lá fica uma delícia!

Todavia, o importante deste texto, começo agora.

Em um dos dias, sentados sob o guarda-sol, eu e uma amiga vimos umas três crianças que pareciam pegar diamantes quando as ondas estouravam na praia. Tínhamos a certeza de que não eram conchinhas, porque a algazarra não seria tanta!

Como não sou nada curioso... nem um pouquinho! Falei “Vamos lá ver o que eles estão fazendo?” e ela concordou. Ao chegarmos perto, continuei sem saber de nada. Quando uma onda estourava, eles olhavam para a areia e de repente corriam para um certo ponto. Nesse lugar, eles cavavam até achar o que procuravam. E eu ainda não via nada! Nadinha.

Então, resolvi perguntar! Cheguei perto de uma menina de, sei lá, uns 6 ou 7 anos (Observação: é bom lembrar que sou péssimo em acertar a idade das crianças só pela aparência.) e perguntei: “O que vocês estão catando?” e ela respondeu “Bichinho!”.

“Mas que bichinho? Não estou vendo nada...”

Aí, ela me explicou: “Mas você tem de ser rápido, porque eles vêm com as ondas e se enterram rapidinho na areia.”

Eu nunca tinha visto um bicho desses e pedi para que ela me mostrasse um. Aí, ela pegou, com um menino, uma garrafa de água mineral descartável. A garrafa estava com areia até a metade e tinha água o suficiente para que a areia ficasse sempre molhada. Então, a menininha deu um chacoalhão, tapando a boca da garrafa com as mãos e me mostrou. Agora dava para ver os bichinhos.

Acho que ela percebeu que eu não estava muito satisfeito, pegou um de dentro da garrafa e me deu para segurar e ver como ele era.

Só que eu estava indignado e me perguntava “Como eu não vejo esse bicho na areia?” e ela respondeu “É que você tem que prestar muita atenção. Quer ver? Eu te ensino a pegar.” E ela ensinou mesmo. Em pouco tempo, eu já estava craque! Quando percebi, eu já estava no meio de um monte de crianças catando bichinho. “Eu vou levar para casa e dar de presente para a minha tia!”, contou ela. Toda hora parava uma ou outra pessoa para saber o que estávamos fazendo, ou para conhecer o animal.

Ninguém ali sabia o nome do “cava-cava”, então, demos esse apelido para ele. Porém, quando voltei para Barretos, fiquei com aquilo na cabeça. Procurei em vários livros de biologia, mas nunca achava nada. Só em agosto eu me lembrei de que “Quem tem boca vai a Roma”. Entrei em sites sobre biologia e mandei e-mails, descrevendo e pedindo ajuda para identificar o bicho. Recebi várias respostas! E as comparei com livros e fotos.

O nome dele é tatuíra (mas também é conhecido como pulga do mar, tatuí, tatu d’água, etc). É um animal muito comum nas praias brasileiras, mas é difícil percebê-los. Quando trazidos pelas ondas, entram em contato com a areia recém-molhada e se enterram com muita rapidez. Ele é parente do camarão, ou seja, é um artrópode crustáceo. Em algumas regiões, as famílias pobres os comem fritos porque têm alto valor nutritivo. Eles também são usados como isca para a pesca.

Assim como eu não sabia o nome do “cava-cava”, eu não me lembro do nome da menina. Só sei que eu, na época com 20 anos (agora 21...), aprendi com uma garotinha de 6 ou 7 anos! E não tenho vergonha disso. Meus conhecimentos aumentaram! Eu cresci!

A sua idade não importa. Ninguém sabe tanto que não tenha o que aprender. Todo mundo sabe algo que pode ensinar. Não tenha preconceito, converse com crianças e idosos e você se surpreenderá.

Eduardo Franciskolwisk

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